O economista Raul Velloso, ex-integrante da equipe econômica do governo Fernando Henrique, elogiou a decisão da presidente Dilma Rousseff, de abrir a possibilidade para a privatização de aeroportos brasileiros divulgada nesta semana.

“O Brasil precisa de uma participação maior do setor privado nessa área”, resumiu Velloso, durante palestra no SAP Fórum nesta quarta-feira, 23.

O economista, no entanto, foi crítico com a demora em tomar a medida, adotada por Dilma como uma resposta aos atrasos nas obras e ao temor de um apagão aéreo na Copa 2014.

Os novos terminais dos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e Viracopos, em Campinas, por exemplo, deverão ser entregues à iniciativa privada.

“Há dois anos atrás, o presidente da Infraero viajou pela América Latina vendendo o modelo brasileiro de aeroportos. Ainda bem que eles não acreditaram”, ironizou Velloso. “Precisamos sair dessa armadilha do governo querer fazer tudo, inclusive quando não sabe e não tem dinheiro”, resumiu.

O palestrante aproveitou para alfinetar o fato de que a medida envolveu a criação de uma nova secretaria com status de ministério em Brasília: “Isso não podia estar no ministério dos Transportes?”.

Velloso aproveitou para criticar a política de gastos do governo federal, voltada para a “transferência de renda”.

“Hoje o governo tem na sua folha de pagamento 50 milhões de pessoas. Com um dependente cada, estamos falando de mais da metade da população do país”, afirmou o economista.

Para Velloso, a “incapacidade do governo para poupar” resulta em pouco investimento em infraestrutura e na formação de gargalos, fazendo com que aceleração do crescimento leve à inflação.

“Temos que ter em mente que o Brasil não deve superar uma taxa média de 4,5% de crescimento do PIB”, concluiu.

* Maurício Renner cobre o SAP Fórum à convite da SAP Brasil