Os auditores da Deloitte que deixaram passar um rombo de R$ 4,3 bilhões no banco PanAmericano em novembro de 2010 escaparam da Polícia Federal, mas não devem passar isentos pelo Banco Central.

Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo dessa quinta-feira, 24, o processo de investigação sobre supostas irregularidades nas auditorias está praticamente concluído.

O resultado deverá ser uma autuação da Deloitte em R$ 500 mil e a inabilitação de pelo menos um dos sócios da auditoria, José Barbosa da Silva Junior, possivelmente por oito anos, diz a Folha.

Esse prazo ainda não foi definido pelas autoridades, e varia de um dia a 20 anos de afastamento, dependendo da gravidade das infrações.

De acordo com o jornal, Osmar Aurélio Lujan, que também foi ouvido pela Polícia Federal, não auditou o balanço de junho de 2010, foco da apuração do BC.

A Deloitte e seus auditores poderão recorrer da decisão do BC.

O banco já baniu 19 ex-integrantes do PanAmericano por gestão fraudulenta, entre outros crimes contra o sistema financeiro.

A Folha complementa que a Deloitte foi investigada por não ter feito ressalvas no balanço do PanAmericano quando encontrou dificuldades para atestar transações envolvendo carteiras de crédito vendidas a outras instituições.

Foram essas irregularidades que deflagaram as investigações que resultaram na descoberta de fraudes.

Em sua defesa ao BC, os auditores da Deloitte negaram a acusação de omissão. Eles afirmaram que, como alternativa à falta de respostas dos bancos, escolheram uma amostra das carteiras para buscar informações que comprovassem as transações.

A Folha apurou que o BC não aceitou a defesa.

No passado, a Deloitte já foi investigada pela CVM por não ter feito ressalvas sobre operações envolvendo derivativos cambiais da antiga Aracruz. Os investigados fizeram acordo e pagaram R$ 1 milhão para pôr fim ao processo.

Má fase
Com um nível de capital próprio considerado baixíssimo por analistas, o PanAmericano precisa de um aporte de R$ 600 milhões para manter o ritmo. No entanto, o banco, continua sob suspeita.

Hoje comandado pelo BTG Pactual – que comprou a parte de Silvio Santos após o escândalo das fraudes – e pela Caixa Econômica Federal, que tem 36%, a instituição segue na mira da PF, que apura se ela teria comprado os 36% do PanAmericano ciente do rombo, cedendo a pressões políticas.

O negócio foi fechado em dezembro de 2009 por R$ 740 milhões, um ano antes de o escândalo vir a público.

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