Erran Carmel, da American University de Washington e Rafael Prikladnicki, da PUC-RS.

O fuso horário próximo ao americano – variando de 1 a 4 horas de diferença – é apontado por 10 entre 10 empresas brasileiras como um diferencial frente a competidores no mercado de serviços de desenvolvimento offshore como Índia e China, situados do outro lado do globo.

Além da estratégia de marketing, o fuso tem alguma diferença efetiva na qualidade da entrega? Responder a essa pergunta será o objetivo principal de uma pesquisa conjunta entre os professores Erran Carmel, da American University de Washington; e Rafael Prikladnicki, da PUC-RS.

“Todos os países enxergam seus fusos como um diferencial competitivo. Entender e lidar com a questão na prática é muito mais útil para a indústria de TI”, afirma Carmel, que esteve em Porto Alegre nesta segunda-feira, 24, em meio de uma extensa agenda de visitas a empresas que deve passar ainda por Rio de Janeiro e São Paulo.

Carmel é uma autoridade mundial no assunto. Autor de "Global Software Teams", um dos primeiros livros a abordar o tema, em 1999, o professor tem estudos de caso em corporações como Infosys e Intel e desde 2002 pesquisa exclusivamente problemas de coordenação de trabalho offshore.

“A PUC-RS é hoje referência de pesquisa nesta área no Brasil”, afirma Prikladnicki, que junto com o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da PUC-RS, Jorge Audy, é autor do único livro em português publicado sobre o assunto. “O resultado pode ser muito importante para a TI nacional”, avalia o professor gaúcho.

Os possíveis resultados e as expectativas dos pesquisadores são tratados com discrição por Prikladnicki e Carmel, mas é possível ter uma pista ouvindo as opiniões do especialista americano sobre o conceito follow the sun, pelo qual as diferentes zonas de horários podem ser aproveitadas para gerar um ciclo de desenvolvimento ininterrupto.

“Em 10 anos de pesquisa eu nunca vi uma organização executar o conceito na sua totalidade”, garante Carmel. “Mesmo localmente não funciona bem. A graça de programar é criar um trabalho individual, não é mesmo?”, brinca o professor. Uma prévia do trabalho dos pesquisadores está prevista para o final do ano.