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O Prime, primeiro programa de financiamento a fundo perdido para pequenas empresas inovadoras da Finep operado através de parceiros, tem mais futuro do que pode parecer.

 
Com o lançamento da segunda edição atrasado em 10 meses – a última comunicação da Finep sobre  o tema falava em dezembro de 2010 – e uma estreia com desempenho abaixo do esperado, com repasses inferiores às metas estabelecidas, o programa parecia e era dado pelo mercado como morto e enterrado.
 
No entanto, declarações do secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério de Ciência e Tecnologia, Ronaldo Mota, concedidas em Porto Alegre durante o lançamento da 21ª edição do Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras da Anprotec, dão a entender que a inciativa ainda tem futuro.
 
“Os grandes programas de incentivo à inovação em países desenvolvidos funcionam de forma descentralizada. Foi uma primeira experiência positiva mas que precisa ser reformulada para uma segunda edição”, afirmou Mota, cujo ministério é um dos controladores da Finep.
 
Questionado sobre se o governo trabalhava para “ressuscitar” o Prime, Mota rebateu: “Ressurreição é um termo um pouco exagerado. O programa do etanol, hoje um sucesso, foi dado como morto duas vezes. Mesmo a Apple foi considerada quebrada”.
 
Seja qual for o termo correto, a Anprotec, entidade que reúne mais de 200 parques e incubadoras tecnológicas no Brasil, incluindo as 18 que classificadas para operar o Prime nos estados, está se mexendo para reativar o programa.
 
“Semana que vem estarei reunido no Finep. Queremos ser parte da avaliação da primeira edição e contribuir para a continuidade do programa”, afirmou Ary Plonsky, presidente da Anprotec, que também esteve na capital gaúcha para o lançamento do evento.
 
A preocupação é válida. É verdade que as entregas ficaram abaixo do esperado. Foram concedidos  R$ 165,6 milhões, 27% abaixo da meta estabelecida, o que significa que recursos disponíveis não foram captados. 
 
Mas também é certo que 4581 empresas com faturamento anual de até R$ 10,4 milhões se candidataram aos recursos do Prime, das quais só 1380 conseguiram cumprir os requisitos e apresentar uma ideias que pudessem ser consideradas inovadoras pela Finep e receber os R$ 120 mil.
 
Entregue a fundo perdido, o dinheiro deveria ser destinado à estruturação de planos de negócios e no desenvolvimento de novos produtos e serviços. 
 
À época do lançamento do programa, ainda em 2009, a Finep divulgou uma estimativa apontando para investimentos de R$ 1,4 bilhão no Prime, valor suficiente para beneficiar 11 mil empresas.