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No terceiro trimestre de 2010, aumentou em 50%, no mundo, o volume de fusões e aquisições envolvendo companhias de tecnologia no terceiro trimestre em relação ao período entre abril e junho, e 48% em comparação ao mesmo período do ano passado.

O Brasil, entretanto, não registrou negócios de tecnologia no 3T10.

A apuração foi realizada pela Ernst & Young, que registrou, somente este ano, 601 transações no setor, contra 453 do terceiro trimestre de 2009 - o maior volume desde o início da crise econômica internacional, US$ 46,2 bilhões.

Segundo o líder da área de Transações da Ernst & Young Terco, Ricardo Reis, dois aspectos chamam a atenção no levantamento preparado pela consultoria.

"A internacionalização de negócios, com fusões e aquisições envolvendo companhias estrangeiras (o chamado cross-border) continua em crescimento, chegando a 51% dos valores totais das transações", destaca o especialista.

Além disso, segundo Reis, as companhias têm priorizado países em desenvolvimento, já que foram menos afetados pela crise do que os desenvolvidos.

"Também aumentaram os negócios relacionados a organizações que não são do setor de tecnologia, atingindo 21% do volume total de negócios", ressalta o gestor.

Previsão otimista baseada em cloud, e-commerce e mobilidade
Reis destaca que parte dessas transações estavam planejadas antes da crise e foram concluídas recentemente. Um crescimento contínuo de transações para este setor é esperado para os próximos meses, segundo ele.

"Grandes companhias devem apostar em investimentos voltados para novas tecnologias, como segurança da informação, comércio eletrônico via tecnologias móveis e computação na nuvem", projeta o analista.

Fundos em ação
A análise realizada pela Ernst & Young aponta uma maior participação dos fundos de private equity nas negociações no 3T10: foram 99 no terceiro trimestre, ante 51 no segundo e 35 no ano passado.

Os valores médios das transações foram de US$ 176 milhões, contra US$ 140 milhões no segundo trimestre e US$ 178 milhões no mesmo período de 2009.

O estudo compila 36 IPOs envolvendo companhias globais de tecnologia, com valor total de US$ 4,5 bilhões.

Por que não o Brasil?
Para o líder da área de transações da Ernst & Young Terco, o Brasil não registrou fusões e aquisições em TI no terceiro trimestre de 2010 porque as empresas do país "ainda têm grande foco na prestação de serviços, despertando menor interesse de corporações globais".

Apesar disso, defende o analista, o país tem "potencial" e chamará cada vez mais a atenção pelo fato de "desenvolver novas tecnologias".