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Sem educação, a inovação não sobrevive. E sem inovação, a sociedade perde a sua principal riqueza.

O alerta vem de Ricardo Felizzola, presidente do Conselho da Altus Sistemas de Informática S/A e da e da joint venure de semicondutores HT Micron, segundo quem a “educação” em questão não está nos MBAs e especializações acadêmicas, mas sim das séries básicas.

“Temos que ter uma educação básica de excelênia. Só assim formaremos um público capaz de chegar no bolo da riqueza vinda da inovação, seja como consumidor, seja como gerador de mais riqueza”, defende o empresário.

A aposta na educação básica não é novidade, diz Felizzola.

Países asiáticos, por exemplo, investiram pesado numa educação básica de excelência interna e, depois, mandaram seus cidadãos para estudar nas melhores universidades da Europa ou dos Estados Unidos.

“Hoje, esses caras tem os profissionais mais qualificados, criando sua própria educação de qualidade. Eles têm as duas coisas, e estão na ponta da inovação”, pondera.

Enquanto isso, o Brasil construiu faculdades, sem qualificar o público que entraria na academia. “Em nenhum outro país do mundo isso deu certo, e não vai dar aqui também, por isso o governo está investindo em mandar brasileiros para estudar fora, para formar capital intelectual”, completa.

Segundo o executivo, é preciso investir em ativos de inovação.

Felizzola alista cinco: capital humano, conhecimento, infraestrutura, marcos legais e cultura empreendedora.

Todos essas iniciativas, mantidas por um conjunto de governo, empresas e cidadãos.

“O Rio Grande do Sul tem um bom retrospecto na área. Temos uma cultura de famílias que incentivam os filhos a estudar quando pequenos, além disso, iniciativas como a Agência de Desenvolvimento gaúcha são um incentivo à inovação”, diagnostica.

O empresário, no entanto, critica a falta de cultura empreendedora ainda presente no estado, que se manifesta, segundo Felizzola, especialmente no medo de correr riscos.

“O dia que um pai disser pra um filho largar o concursinho do Banco do Brasil e abrir uma empresa, teremos cultura empreendedora no Rio Grande do Sul”, incentivou.

De acorco com o Relatório de Monitoramento Global da Unesco, o Brasil é o 88º país, numa lista de 127, no ranking mundial de educação.

O primeiro lugar da lista é o Japão, seguindo por Reino Unido e Noruega. Dos países analisados, o sul-americano mais bem colocado é o Uruguai, que fica em 36º lugar, seguido da Argentina, 38ª colocada.

Pesam no cálculo as matrículas no ensino primário, a taxa de analfabetismo, igualdade de gênero na educação e a taxa de alunos que chegam ao quinto ano.

Com produção marcada para setembro, a HT Micron, oint-venture formada pela sul-coreana Hana Micron e pela gaúcha Parit Participações S/A, investirá R$ 200 milhões em equipamentos em São Leopoldo.

Em 2010, a receia da Altus foi de R$ 57 milhões.