É final de ano, época de reencontro para as famílias e retrospectivas para os meios de comunicação.

Fazendo sua parte pelos clichês de final de ano, a capa do Baguete Diário durante essa semana de merecido recesso da equipe será ocupada por um top 10 das tecnologias, fatos e tendências que resumem 2010.

Tudo com muitos links para toda a cobertura do portal para a torrente de notícias diárias que, vistas em conjunto, permitem ter uma ideia do que foi este ano. Relembre 2010, ou, se você esteve em coma, confira os acontecimentos do período.

A caixa de comentários é território livre para quem quiser apresentar fatos que ficaram de fora, criticar ou complementar os que estão dentro.


Cloud Computing
Uma pesquisa no conteúdo do Baguete em 2010 pelo termo cloud retorna 413 menções. São notícias e artigos sobre a palavra da moda em TI em 2010.
 
Parcerias focam cloud, novos softwares são oferecidos nas nuvens, a migração para o modelo entra na pauta do CIO e por aí vai.
 
Como costuma acontecer em tecnologia, ainda falta para o hype virar prática. As cifras envolvidas ainda são pequenas, os responsáveis são receosos e a coisa toda ainda pode demorar para entrar nas prioridades do orçamento das empresas.
 
Mas a verdade é que fora do palavrório, as coisas já começam a se mexer. Meses após um lançamento bombástico, representantes da Microsoft já explicam os detalhes do comissionamento nas nuvens para os parceiros aqui em Porto Alegre.
 
A Dell, como parte da sua migração para serviços, já oferece um pacote de softwares online. Tudo por R$ 1. Mesmo companhias como a SolidWorks, em um ramo tão crítico em segurança e dependente de processamento como o CAD 3D, já olham as nuvens.
 
Companhias mais ousadas em TI, como a Renner, começam a gastar. Agora é ver quem seguirá o exemplo.
 
Data Center
Parece que todo mundo decidiu investir em data Center em 2010.
 
Além dos players tradicionais do mercado de hospedagem como Locaweb e UOL empresas até em então concentradas em TI como CPM Braxis e Sonda também fazem suas apostas, de olho no crescimento do modelo software como serviço.
 
Em um mercado fragmentado, a promessa do cloud computing leva a uma onda de fusões, e também possibilitam empresas como a KingHost, com faturamento de R$ 10 milhões fazer planos para chegar a R$ 460 milhões em 2016.
 
Vai ter para todo mundo?
 
Fusões e aquisições
Um levantamento divulgado pela PwC apontou alta de 20% nas fusões e aquisições no Brasil de janeiro e outubro. Com 56 transações, cerca de um décimo do total, a área de TI lidera em número o raking de setores.
 
Foi possível acompanhar a correria da compra e venda, com destaque para a Totvs. A empresa está abrindo o bolso para comprar de franquias comerciais rebeldes e operações de desenvolvimento da antiga Datasul.
 
[Um efeito colateral da situação, que eu abordei em um infame artigo chamado Datasul no rolete é o êxodo de ex-Datasul para a concorrência, em uma ocasião neste ano envolvendo o próprio Jorge Steffens].
 
A tendência também se refletiu em outras grandes companhias de TI do Brasil, como a CPM Braxis, adquirida pelos franceses da Capgemini e na Tivit, cujo controle foi adquirido pela americana Apax.
 
A Sonda Procwork, já adquirida no passado pela chilena Sonda e agora em febre de compras no país. Virtualmente o último grande player 100% nacional, a Stefanini fez a maior compra de uma empresa brasileira no exterior.
 
No Rio Grande do Sul, a área de agências digitais passou por uma febre de vendas, todas para compradores internacionais, incluindo a já aguardada negociação da AG2 e outros negócios como Cubo.cc e a Axciom.
 
Tudo isso com o Brasil ocupando a 49ª colocação de um ranking da Ernst & Young e City University de Londres sobre o ambiente para fusões e aquisições de 175 países.
 
Se melhorar o ambiente, o que vai acontecer? Vocês vão saber aqui, em 2011.
 
Eleições digitais 2010
As Eleições 2010, as primeiras com o uso de Internet liberado no Brasil, entram na lista como um não acontecimento. A verdade é que a campanha digital foi um fiasco.
 
Com a colaboração fundamental dos dois candidatos que reúnem o carisma de um cordão de calçada com a capacidade de comunicação de um albanês gago, a campanha digital.
 
É verdade que a campanha digital petista fez mais barulho. Arrumando problemas para o PT com a Globo ou pedindo para a candidata fazer o que ela não queria fazer, as ações do gaúcho Marcelo Branco produziram na maior parte do tempo rumores sobre a sua própria demissão e ou congelamento.
 
[Também houve acertos, como a campanha para por Dilma nos TTs, depois barrada pelo Twitter, como o Baguete Diário noticiou com exclusividade].
 
Do lado tucano, a campanha conseguiu ser ainda pior, com reformulação de sites e gurus indianos de última hora.
 
Muitos atribuíram o segundo turno a campanhas de e-mail apócrifas, uma ferramenta de comunicação presente em eleições desde 1998 e para o qual o PT não tinha nenhuma estratégia específica
 
A lição que fica? Ainda falta bastante para uma campanha na qual a comunicação digital consiga executar um papel relevante. Talvez a primeira delas seja candidatos com um discurso claro e uma mensagem para transmitir.
 
Brasil na mira
Em um ano em que as economias da Europa e dos Estados Unidos sofreram pela estagnação econômicas, grandes multinacionais anunciaram como nunca antes planos ambiciosos para o Brasil.
 
Para ficar em quatro: IBM [com destaque para Porto Alegre], Oracle, Progress e SAP.
 
2011 será o ano de ver essas companhias levando ao terreno da prática os planos, o que implica penetrar na área de médias empresas, objetivo já muito propalado e pouco executado.
 
Tablets
Em termos de hardware, tablet foi a palavra do ano. Preparadas para tomar 23% do mercado de PCs até 2015, as maquinhas foram tema de matérias diárias no Baguete.
 
Muitas falavam de lançamentos – já existem 60 modelos no mercado  - e outras tantas focavam só na Apple que com seu iPad ressuscitou a tecnologia e hoje domina mais de 90% do mercado. [A Apple, aliás, deixou o Brasil no fim da fila do lançamento. Será que Eike resolve?]
 
O custo da tecnologia e suas possibilidades no Brasil, um aspecto menos oba-obístico da cobertura, também estiveram no foco. Por isso os leitores do Baguete sabem que por aqui, só o plano 3G de um iPad pode custar outro iPad em um ano.
 
Classe C
A importância de entender como a entrada da classe C na Internet vai afetar o negócio digital, tema de prédica quase pastoral do blogueiro Jonatas Abbott no Baguete Diário, entrou na agenda em 2011.
 
Com a classe C respondendo por 35% dos internautas e sendo um dos motores do crescimento econômico do país, cada vez menos se sustenta a atitude guri-de-apartamento-não-me-orkutize de muitos entendidos do meio digital.
 
Quem souber entender e fazer negócios com a classe C triunfará.
 
Semicondutores
Semicondutores foram um dos temas no ano no Rio Grande do Sul, não há duvida.
 
A vinda da joint venture brasileiro sulcoreana HT Mícron – uma grande tacada da Altus – marcou um ponto de mudança na indústria no estado, com um investimento milionário que promete uma revolução no Vale dos Sinos.
 
O Ceitec, que tem na atração de investimentos como a HT Mícron uma das razões da sua constituição, também deu passos importantes colocando o primeiro chip a venda no mercado.
 
A saída da fase de projetos para a atuação no mercado, no entanto, tem se mostrado traumática para a fábrica de chips controlada pelo governo federal.
 
O alemão Eduard Weichselbaumer se demitiu soltando os cachorros na demora do Ministério de Ciência e Tecnologia em tomar as medidas necessárias para administrar a fábrica.
 
Weichselbaumer, que em entrevista ao Baguete Diário disse com todas as letras que o futuro do Ceitec passava pelo atualmente amaldiçoado termo “privatização” foi sucedido por Cylon Gonçalves da Silva que meses após assumir resumiu a situação graficamente: “Lamento, mas a Ceitec não é uma empresa, é, sim, uma repartição pública”.
 
A compra de um sistema de gestão, uma das primeiras medidas de Silva rumo a uma gestão profissional, no entanto, tem gerado polêmica.
 
O Ceitec adquiriu software da Totvs já possuindo licenças. A explicação – que explica muito pouco – é que os dois sistemas rodarão em paralelo.
 
A realização do ambicioso plano de negócios da HT Mícron, hoje ainda no licenciamento, e como o Ceitec vai ser virar no mundo da iniciativa privada serão dois grandes assuntos para 2011.
 
Parques tecnológicos
A movimentação dos parques tecnológicos gaúchos foi outro dos destaques em 2010.
 
Turbinado por um novo modelo de administração que enterrou rixas do passado, o Tecnosinos seguiu captando novos investimentos – com destaque para a HT Mícron – e acabou eleito o melhor parque do Brasil pela Anprotec.
 
Outro dos grandes parques do estado, o Tecnopuc, inaugurou um prédio que duplica a sua área. Para 2011, o esforço será concretizar a protelada fase III do parque em Viamão.
 
Uma boa notícia para o setor de tecnologia gaúcho é que os parques tecnológicos ter decidido tomar uma atitude mais participativa em relação ao papel do governo no desenvolvimento da área no estado.
 
Representantes dos maiores parques ligados a universidades privadas – Feevale, Unisinos e PUC-RS – jogaram a bola de forma decidida no colo de Tarso, pedindo verbas e uma secretária de Ciência e Tecnologia com poder político.
 
É uma vitória nesse sentido a nomeação de Cleber Prodanov, pró-reitor de Inovação da Feeevale, para a posição de secretário de Ciência e Tecnologia, depois de quatro anos nos quais pessoas ligadas ao setor foram preteridas em nomes de políticos sem ligação com o meio.

[Para não ser injusto, é preciso lembrar que Júlio César Ferst, uma essas pessoas ligadas ao meio que acabou perdendo a posição na SCT, colocou de pé o PgTec, um programa que destinou R$ 10 milhões para os parques gaúchos. É pouco, mas foi o primeiro].
 
Mazembe
O assunto dos assuntos do final do ano integra essa lista não apenas pela capacidade dos colegas do goleiro Kidiaba de gerar infinita corneta ao derrotar o Internacional no Mundial de Clubes – acreditem, eu tenho uma medida da dimensão da flauta.
 
Extrapolando os limites futebolísticos, a derrota do Internacional para o Mazembe contém lições para todas as facetas da vida. [Ok, talvez cabeleireiros não devessem se inspirar nos cortes de cabelo dos africanos].
 
O Brasil passa no momento por um dos seus periódicos ciclos de “agora-vai”, quando parece que estamos fadados à glória e os obstáculos que estão postos no caminho do país parecem facilmente superáveis.
 
Claro que não é assim. Não foi no Brasil de Juscelino ou no de Médici [os dois momentos “agora vai” das últimas décadas] e também não foi assim para o Inter em outras ocasiões [das quais as mais catastróficas foram as derrotas para Olímpia e Juventude].
 
A lição que o Mazembe traz é que não existe vitória assegurada, tanto no Mundial de Clubes como na competição econômica internacional. Lembremos disso e ajamos de acordo nos campos onde nos seja dado agir.