Luciano Borges Lopes, gerente de Suporte e Infraestrutura do Groupe Doux

Standartização da TI em nível global, mas ditada pelo Brasil, em um projeto que já começou pela infraestrutura de storage, servidores e redes, devendo chegar à fase de desktops em julho de 2012 e, na conclusão desta etapa, partir para a área de sistemas.

Esta é a aposta da Groupe Doux para fazer da TI uma das alavancas para se recuperar dos estragos feitos pela crise mundial de 2008, quando a companhia pereceu com dificuldades de quitar fornecedores, amargando queda de 12,2% na receita de 2009 da operação brasileira – Doux Frangosul -, que ficou em R$ 1,7 bilhão.

Só em 2010, a lista de fornecedores com pagamentos em atraso somava mais de 2 mil criadores de frango integrados no Rio Grande do Sul, conforme dados apurados pelo Correio do Povo.

Já em junho do ano passado, a crise levou a empresa a de origem francesa vender seus ativos de peru, operação que representava 6% do abate total no Brasil, à Marfrig por R$ 65 milhões.  

O quadro desfavorável, entretanto, já está se revertendo, e a TI tem papel de protagonista nisso, garante Luciano Borges Lopes, gerente de Suporte e Infraestrutura do Groupe Doux.

“Estamos trabalhando na unificação da TI Brasil-França, em um projeto que começou em 2010, foi efetivado e entrou em processo produtivo em julho deste ano, e será nosso principal foco até a conclusão”, destacou durante o Meeting de TI da Federasul, nesta  terça-feira, 29.

O Brasil como guia
O Brasil, onde o time de TI da Doux conta com 20 colaboradores próprios e 15 terceiros alocados na sede em Montenegro, será o guia da unificação da TI.

“Hoje, 80% da tecnologia de infraesutrutura da empresa é ditada pelo Brasil”, afirma Lopes.

O que se pode ver por processos como a virtualização, que por aqui já atingiu 90 servidores, com meta de chegar a 100% do parque em março de 2012, e será replicada na França, segundo o gerente.

Hoje, além dos servidores virtuais, a Doux Frangosul conta com 36 máquinas físicas.

Mainframe, 1 mil estações de trabalho (entre desktops e notebooks), 50 switches de hub, com backbone de 1 mil MB/S, atendendo a 2,9 mil usuários de rede que somam 1,2 mil caixas postais, completam a infraestrutura da operação nacional.

Em service desk, o Brasil também comanda, conforme o executivo, que na Federasul dividiu o palco com Rafael Vilarino Kuhn, diretor de Tecnologia do Terra Networks; e Willy Andrey Fröhlich, coordenador da Divisão de Informática Ministério Público - RS.

Sistemas em definição
A parte de sistemas é que ainda está incipiente.

“No Brasil, usamos ERP Datasul e sistemas periféricos como o BO, NF-e da Neogrid, com o qual processamos mais de 4,5 mil notas por mês, e soluções gaúchas, como o TraceGP, da Trace Sistemas”, conta Lopes. “Em âmbito global, a padronização de sistemas ainda não tem definições. O que faremos é começar a planejar, a partir do ano que vem, projetos globais de adoção de software”, comenta.

Sul no roadmap mundial
Questionado sobre a possibilidade de replicação global das tecnologias usadas no Brasil – incluindo os softwares gaúchos e catarinenses-, o gerente economiza na declaração, mas afirma: “é uma possibilidade que está no roadmap”.

Mobilidade dá asas às vendas
A operação brasileira do grupo, que é um dos cinco maiores exportadores mundiais de aves e produtos processados, embasa sua força de vendas na mobilidade.

“Toda força de vendas no Brasil é baseada em smartphones. Temos cerca de 80 dispositivos, que utilizam um sistema gaúcho”, comenta o gerente de TI, sem revelar os fornecedores.

Pouca nuvem
Em cloud computing, a Doux Frangosul – assim como o Groupe Doux – ainda investe pouco.

Hoje, apenas uma ferramenta de gestão de fluxo de caixa está em nuvem na operação brasileira.

“No ano que vem, debateremos isso e preparemos algumas áreas para ir para a nuvem, o que deve começar, efetivamente, em 2013. O foco inicial será o correio eletrônico”, afirma Lopes.

Mudanças na TI
Luciano Borges Lopes assumiu o comando da TI da Doux desde que, em agosto deste ano, Rafael Nicolela deixou o cargo de CIO da companhia, assumindo, em setembro, a gerência geral administrativa da Stemac.

Na empresa desde 2008, Lopes veio da Datasul, onde trabalhava desde 1997.

Gigante avícola
Fundado em 1955, o Groupe Doux atua em aves, produtos à base de carne suína e outros itens processados, com plantas industriais na Europa e no Brasil.

Ao todo, são 17 abatedouros e plataformas de expedição, seis fábricas de embutidos e dez de rações, além de 13 incubatórios.

A operação global soma 14,5 mil colaboradores e mais de 4,3 mil criadores parceiros em todo o mundo, tendo fechado 2009 com volume de negócios de€ 1,309 bilhão e Ebitda de € 104,3 milhões.

O Groupe Doux está presente em mais de 125 países.

No Brasil, opera desde 1998, quando adquiriu a Frangosul.

Hoje, só no país a empresa tem unidades fabris, incubatórios e abatedouros no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul.

No estado do Sul, além da sede em Montenegro, onde também fica a fábrica de produtos processados, a companhia tem unidades em Caxias do Sul, Carapó, Salvador do Sul, Passo Fundo, Nova Bassano, Ipê e Vacaria.