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A Procergs chamou no começo de março 45 novos colaboradores, aprovados em concursos realizados em 2009 e 2008.

O novo contingente, cuja contratação  foi revelada por um documento da estatal ao qual o Baguete Diário teve acesso, é a maior incorporação de mão de obra na estatal gaúcha de processamento de dados nos últimos anos.

As contratações de profissionais de nível técnico nas tecnologias Java, Microsoft e Oracle PL/SQL podem sinalizar também uma tendência de crescimento no quadro de profissionais da Procergs, que agora atinge 1,030 pessoas.

Durante a administração Yeda Crusius, um acordo de gestão assinado em 2006 entre a diretoria da estatal e o governo estabelecia o número máximo em 965 colaboradores.

Na campanha eleitoral, o então candidato Tarso Genro se manifestou favorável a ampliar o quadro da Procergs em uma enquete realizada pelo Sinddp-RS, além de prometer “reduzir a terceirização e subcontratação em áreas estratégicas”.

Caso as novas contratações sejam o primeiro passo da estratégia então defendida por Tarso – a Procergs não respondeu aos contatos do Baguete Diário até o fechamento desta matéria – a política pode significar a perda para empresas locais a perda de contratos de terceirização de desenvolvimento.

O empresários de TI – que já reclamam da pressão exercida no mercado por salários acima da média em projetos públicos como o em andamento no Hospital de Clínicas de Porto Alegre – ganhariam ainda mais um competidor por profissionais.

A reportagem do Baguete Diário procurou a Assespro-RS e o Seprorgs para comentar uma eventual mudança na política de contratações da Procergs, mas as entidades preferiam não fazer comentários sem ter a informação de que a as últimas incorporações são parte de um plano de longo prazo.

A hipótese da Procergs “roubar” colaboradores da iniciativa privada é improvável, garante Marcos Baldino, um dos integrantes da comissão de trabalhadores da Procergs, ligada ao Sindppd-RS.

“Os salários de entrada não são tão atrativos para o pessoal novo”, acredita Baldino, explicando que os benefícios por tempo de serviço começam a ser incorporados ao pagamento a partir do quinto ano de trabalho.

Conforme os editais disponíveis no site da Procergs, o salário dos contratados é de R$ 2,693.

De acordo com Baldino, a estatal vem perdendo funcionários para a iniciativa privada, e não ao contrário.

“Muita gente concursada já foi para a iniciativa privada em busca de salários maiores”, aponta Baldino. A migração, porém, não é de uma via só. “Mas já há casos de gente que voltou como terceirizado aqui para dentro ganhando menos ou mesmo fazendo outro concurso”, revela.

Fontes de mercado apontam que profissionais com o perfil chamado pela Procergs podem ganhar até R$ 4 mil.

Um levantamento feito pela reportagem do Baguete no LinkedIn mostra que mesmo oferecendo um salário inicial abaixo da média, o atrativo da estabilidade e do aumento de salário no longo prazo ainda funciona para atrair interessados para o concurso - não é certo que os chamados assumirão as posições.

Dos 45 convocados pela Procergs, o site conseguiu identificar 21 na rede de relacionamento corporativa.

Do total, 16 estão empregados na iniciativa privada, todos em empresas gaúchas de pequeno e médio porte instaladas em Porto Alegre.

Apenas cinco vêm de outros órgãos públicos como CEEE, Banrisul, Hospital de Clínicas e Corsan.