O governo federal botou a mão no bolso e vai bancar mais de 90% do custo da participação das empresas brasileiras na edição 2012 da Cebit, na qual o Brasil será o país parceiro e estará na vitrine.
 
A participação brasileira terá um total de 1,1 mil metros quadrados, distribuídos no pavilhão central – o local mais nobre – e cinco espaços espalhados pelas áreas temáticas da feira, focados em bancos e segurança da informação, telecomunicações, usuário final, governo e pesquisa e desenvolvimento.
 
O custo total é de US$ 1,5 milhão, dos quais as empresas que decidam participar oferecerão no conjunto uma contrapartida total de US$ 140 mil.
 
Os preços são distribuídos pelo faturamento do interessado e a localização do estande pretendido.
 
Uma empresa grande (com faturamento acima de R$ 90 milhões) que queira estar no pavilhão central pagará US$ 20 mil. Se a mesma empresa optar por algum dos outros pavilhões, pagará US$ 6 mil. Se optar por participar como um prospector, sem área própria, o valor cai para US$ 3 mil.
 
Uma empresa média (a partir de R$ 16 milhões), pagaria respectivamente pelos mesmos espaços US$ 5 mil, US$ 3 mil e US$ 2 mil. Uma micro (a partir de R$ 2,4 milhões), US$ 3 mil, US$ 1,5 mil e US$ 1 mil. Abaixo desse faturamento, os custos ficam em US$ 1,5 mil, US$ 800 e US$ 500.
 
“Comparado a anos anteriores, quando atenção era quase total para software, o modelo desde ano é mais amplo”, avalia diretor de Mercado da Softex, Djalma Petit, que esteve em Porto Alegre nesta terça-feira, 29, como parte de um roadshow de divulgação da feira para empresários.
 
Petit detalhou a lógica pela qual o governo pretende estruturar a presença brasileira na Cebit. A ideia é unir cases de sucesso do país – a urna eletrônica, o imposto de renda pela Internet, os projetos de inclusão digital – com empresas públicas, grandes âncoras e expositores privados.
 
“A ideia é vender o país como um destaque em alta tecnologia, com cases de ponta e um grande mercado interno”, explica o diretor da Softex. A expectativa é que a presidente Dilma Rousseff compareça, a exemplo do que costumam fazer os chefes de estado dos países parceiros.
 
No final, os 1,1 mil metros quadrados ficaram mais próximos das expectativas mais contidas de presença: fontes ouvidas pelo Baguete chegaram a falar em 3 mil metros e representantes da organização da feira falaram entre 1 mil e 2 mil.
 
A Turquia foi o país parceiro e ocupou 3 mil metros quadrados na edição de 2011. A média dos últimos anos do Brasil foi de 400 m2.
 
Petit rebate que a Turquia está em campanha para poder entrar na União Europeia e não possui um mercado interno tão atrativo como o brasileiro. O país tem a metade do PIB verde amarelo e um  gasto interno em TI de US$ 6,1 bilhões em TI, cerca de seis vezes menor que o Brasil.
 
“O Brasil é o centro das atenções no mundo hoje e isso conta muito”, afirma o executivo, destacando que participar na feira na condição de país parceiro e com a vitrine atual da economia nacional é uma chance única.
 
Se o momento econômico brasileiro é bom, existe a expectativa de como a crise na Europa vai refletir sobre o público na feira – o que pode ser o motivo por trás da participação cautelosa do Brasil.
 
No seu material de divulgação, a Cebit afirma esperar 4,2 mil expositores de 70 países e mais de 350 mil visitantes. O número é basicamente o mesmo do apurado nos últimos dois anos, mas bem abaixo dos 6,2 mil expositores e 510 mil visitantes de 2008 e muito distante do ápice da feira, nos anos 2000, quando o número de visitantes chegava a 850 mil.