A Canonical, desenvolvedora da distribuição Linux Ubuntu, quer crescer no mercado brasileiro.

Hoje com um milhão de PCs rodando Ubuntu no país, a empresa não chega a revelar metas, mas está de olho em parcerias de suporte, aumento na base instalada no governo e no segmento de OEMs brasileiro – onde já embarca seu sistema operacional em máquinas da Dell e da Meoo no Brasil.

“Nosso negócio é fazer cada vez mais pessoas usarem o Ubuntu”, disse Jon Melamut, vice-presidente de Serviços OEM e Produtos da Canonical.

Durante o Fisl, a empresa assinou um acordo para migrar as máquinas da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Sul, dentro um projeto piloto para uma migração mais ampla da base instalada do governo gaúcho.

Melamut esteve no 12º Fórum Internacional Software Livre (fisl12), acompanhando outros membros da empresa, que marcou presença com oito palestras e um dos maiores estantes do evento.

5% das máquinas no BR
Não é para menos. Dos 20 milhões de máquinas que a Canonical estima ter no mundo rodando o Ubuntu ou uma de suas variáveis, 5% estão no Brasil.

Desses 5%, metade são de contratos com o Ministério da Educação (MEC). Na prática, as crianças brasileiras estão sendo “ubuntizadas”.

“É um processo de longo prazo, mas que terá efeitos no futuro”, opina Tony Wasserman, professor na universidade Carnegie Mellon West, no Vale do Silício.

Segundo Wasserman, o fato de o software livre ser hoje utilizado na educação de crianças dará aos futuros programadores duas visões de mundo, em se tratando de programas de computador – o aberto (Linux, ou mais especificamente o Ubuntu), e o fechado (Microsoft Windows).

Wasserman aposta na proliferação do Linux no futuro, movimentando toda a cadeia de software, com efeitos especialmente sobre os modelos de negócios, especialmente nas ofertas de serviços – IaaS e SaaS, por exemplo.

Usuários .br
Enquanto os ventos mais favoráveis para o Linux se demoram – o open source, apesar da força nos servidores, ainda é uma gota d'água nos mais de 80% de share da MS no desktop – a Canonical segue a investida.

Além do MEC, o Exército, Serpro, Locaweb e o Buscapé estão na lista de empresas e entidades que usam o Ubuntu.

De acordo com Melamut, o crescimento da Canonical em máquinas – “sem venda de licenças é difícil saber um número exato”, desabafa – é de 45% ao ano.

“Acho que o grande diferencial nosso é que somos mais fáceis. Nós descobrimos que alguém está usando o Ubuntu e entramos em contato, querendo saber se eles querem alguma ajuda. Não tem burocracia nenhuma para os clientes corporativos”, declara Melamut.

Marcelo Soares, sócio diretor da F13, a mais recente fornecedora de suporte full partner da Canonical no Brasil, ressalta que o Ubuntu é diferenciado em relação ao próprio Linux, em termos de suporte.

“Hoje, em servidores, por exemplo, existe Windows pago, Linux pago (referência a Red Hat e Suse) e Ubuntu”, declara.

Roda até no Windows
Facilidade também é a posta para os usuários finais. Na sua key note no fisl12, Melamut apresentou as novidades do último release do Ubuntu, com interface renovada, com uma barra de atalhos oculta à esquerda que pode ser ativada pelo mouse ou...

“Aquela tecla com aquela bandeirinha... sei lá o nome daquilo”, brinca, ao referir-se à tecla Windows, ou simplesmente super, para os “ubunteiros”.

Completam o pacote do release a oferta de sete lojas de música online (à semelhança do iTunes) e um drive virtual – Ubuntu One – sincronizado com diversos dispositivos, como iOS (iPad e iPhone) e celulares Android.

“Dá pra acessar até no Windows”, brinca Melamut.

Segundo o executivo, o Ubuntu tem 10 mil aplicativos, tanto para a plataforma x86 quanto para ARM, disponíveis.