Delegado de Repressão de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, Carlos Eduardo Sobral.

Com o objetivo de mapear e combater 50% das ações de phishing bancário em 2010 e chegar a 90% em 2011, a Polícia Federal aposta na TI como aliada para combater as fraudes eletrônicas, através da adoção de um sistema de análise de inteligência que cruza informações.

Foi o que revelou o delegado de Repressão de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, Carlos Eduardo Sobral, durante o 3º Fórum de TI Banrisul – Segurança nos meios de pagamento, que se encerra nesta terça-feira, 06, em Porto Alegre.

Fornecido pela I2 Technologies, o programa envolve a integração de dados da própria polícia e também da Caixa Econômica Federal, que assinou um acordo técnico com a PF para troca de informações sobre fraudes eletrônicas.

Além disso, a partir de uma reunião realizada com a Febrabran – Federação Brasileira de Bancos em dezembro passado, a PF tem se reunido mensalmente com outros bancos interessados em aderir ao sistema.

A base de dados está sendo remodelada para receber informações das demais instituições financeiras que aderirem ao programa, e o objetivo é que dentro de no máximo três meses seja possível efetuar o cruzamento dos dados advindos dos outros bancos.

“É importante ampliar as informações que recebemos sobre fraudes, visto que não existe quadrilha especializada em banco ‘A’ ou ‘B’. O modelo que tínhamos de investigação era totalmente ineficaz, contávamos com a sorte. Hoje contamos com a informação”, enfatiza o profissional.

De acordo com Sobral, a investigação era instaurada a partir de poucas informações da vítima e na maioria das vezes o criminoso estava a quilômetros de distância, enquanto que hoje, com o sistema, é possível identificar de onde parte a ação criminosa e planejar a ação global ao invés de agir de forma isolada.

O delegado não detalha o valor da implementação, mas informa tratar-se de um projeto da Cintepol - Centro Integrado de Inteligência Policial e Análise Estratégica.

“É um sistema caríssimo, investimos milhões de reais em hardware e também em software, mas há um ganho de qualidade muito grande no combate à fraude bancária e vários outros delitos. Só com muita informação é possível uma investigação, e sem base para gerar os dados, não é possível combater o crime”, declara Sobral.

A tecnologia inglesa, que começou a ser desenvolvida em 2007 e entrou em operação no Brasil ano passado, foi adquirida a partir de um estudo em parceria com o governo francês. De acordo com Sobral, o Brasil é um dos principais países que utiliza a TI para prática de crimes, porém não costuma fazer uso desse mesmo recurso combater tais delitos.

Os crimes de invasão a sistemas serão combatidos por meio do projeto Oráculo, que conta com o apoio do Centro de Tratamento de Incidentes de Segurança em Redes de Computadores da Administração Pública Federal (CTIR).

“A meta é parar de trabalhar com a investigação dita de papel e usar sistemas de inteligência. Usávamos a mesma base de dados desde 2005. A informação eletronicamente disponível permite reduzir o tempo de investigação e planejar ações”, avalia o delegado.


Segundo Sobral, as casas bancárias investem mais de R$ 1 bilhão em prevenção à fraudes, o que reforça a necessidade de melhorar a inteligência da PF e punir os fraudadores.

Em relação à preparação dos clientes dos bancos na utilização dos serviços, o delegado enfatiza que a vítima não pode sair desse papel e passar a ser vista como culpada. “As pessoas recebem e-mails, fotos, navegam na internet. Não podemos lhe tirar esse direito, estipulando faça ‘isso’ ou ‘aquilo’. Cabe ao estado melhorar seu trabalho, identificando e responsabilizando os criminosos”, conclui.