Oscar Siqueira

A versão 2012 do SolidWorks chega com benefícios para o usuário, que conta com 200 novas funcionalidades, mas também para a fabricante, que aposta na flexibilidade da oferta para crescer especialmente no Brasil.

Com a nova solução, a companhia abrange desde empresas com um usuário até clientes do porte da maioria dos 144 mil que compõem a carteira global, incluindo nomes do calibre de Hitachi, Petrobras e a catarinense WEG – maior contrato no Brasil, com 200 licenças.

“Há cerca de dez anos, ter um software CAD era inviável para quase toda empresa: o custo, incluindo hardware, sistema e engenheiro, não baixava de US$ 200 mil por profissional”, conta o country manager da DS SolidWorks Brasil, Oscar Siqueira.

Já hoje, diz o executivo, a maioria dos contratos são com clientes de duas a três licenças, segmento em que o Brasil se mostra muito forte.

Como “forte” ele se refere a uma carteira formada por 3.950 clientes, somando oito mil usuários, dos quais a maioria pode ser de menor porte, mas fica ao lado de nomes como Michelin, Vale, AmBev, Gerdau e Perto.

Força no Sul
Estas últimas três, do Sul, onde também são clientes Guerra, Marcopolo e Taurus, entre outras, fazendo da região o segundo maior mercado da companhia no país, com 37% dos negócios, atrás apenas de São Paulo, com 40%.

Regiões
Na sequência, vêm os mercados do Rio de Janeiro, com 8%; Minas Gerais, com 7%, e um total de 9% somando-se os demais estados.

Para atender a tudo isso, a DS SolidWorks mantém um escritório próprio na capital paulista, além de 13 revendas que somam 28 escritórios em todo o país.

E a meta é ampliar a estrutura, acompanhando a previsão de crescimento em torno de 30% para o faturamento no país, estipulada para 2011.

“Pretendemos abrir um novo escritório de revenda no Nordeste. Não há data definida, mas será no curto prazo, e provavelmente em Sergipe”, comenta Siqueira.

A bola da vez
Não é só na América Latina, disparado o maior mercado da companhia, que o Brasil é o queridinho da DS SolidWorks – no BRIC também.

“O país cresce mais do que os demais integrantes do BRIC”, afirma Siqueira. “No nosso ranking, entre os cinco primeiros gerentes de vendas das regiões das Américas, dois são do Brasil, e um ficou em primeiro lugar na última avaliação”, completa.

Por aqui, duas coisas chamam a atenção da empresa: o PAC, com seus “investimentos indecentes”, na definição de Siqueira, destinados à área de infraestrutura e desenvolvimento, e os eventos futuros, como Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016.

“Embora nossa ferramenta específica para o setor de construção ainda não esteja no mercado, devendo chegar nos próximos meses, já podemos nos aproveitar das oportunidades geradas por projetos desta área, já que tudo o que está dentro de uma construção, tirando a parte de cimento, utiliza CAD - estruturas metálicas, projetos de ventilação e tubulação, por exemplo”, destaca Siqueira.

Com isso, segundo o executivo, uma das metas é pegar carona na onda dos investimentos em estádios que estão por pipocar por conta do mundial de futebol.

No contexto global, o Brasil fica na macrorregião segunda colocada em percentual de receita para a corporação: as Américas ficam com 37% dos negócios, atrás de EMEA, com 42%, e à frente da Ásia-Pacífico, com 21%.

Novidades
O release 2012 da linha de softwares da SolidWorks traz inovações nas áreas de desenho, comparação de telas, visualização de detalhes, operação de processos e revisões, facilitação de acesso e uso de interface, entre muitos outros.

“Atendemos a demandas dos usuários: das mais de 200 novidades, 90% são pedidos de projetistas e engenheiros que utilizaram o software e requisitaram mudanças”, detalha Timóteo Müller, diretor Técnico da DS SolidWorks.

A nova família também agrega novidades na área de sustentabilidade. Por exemplo: agora, é possível simular cenários com opções de mais de 50 tipos de materiais para uso na fabricação de produtos, avaliando o impacto na emissão de carbono, acúmulo de detrito, consumo de energia e vários outros quesitos em cada um deles.

“Também evoluiu muito a questão de custo. Hoje, você pode calcular, em cada projeto, o custo exato de cada peça projetada, inclusive com detalhes particionados por itens e processos envolvidos em cada uma, a partir de dados inseridos no banco do sistema”, finaliza Müller.

Multi-produto
A nova versão do SolidWorks também incrementa o portfólio da companhia, já que há inovações em toda a linha, incluindo as soluções não-CAD (Enterprise PDM, Simulation e 3DVia), que este ano já representam 23% das vendas, contra um índice menor do que 10% há quatro anos.

“Por área de negócios, nosso crescimento, em termos de receita, em 2010, foi de 47% no SolidWorks e de 135% em Simulation e 176% em 3DVia. Já o EPDM é a linha não CAD que mais cresce, na qual a expansão já está na ordem de mais de 300% em 2011”, comenta  Siqueira.

No ringue
E é nesta oferta multi-produto que a DS SolidWorks aposta para fazer frente à concorrência de gigantes da área CAD e PLM, como PTC e Siemens PLM.

Além disso, outro foco da estratégia é a facilitação do pagamento, com ofertas que vão de financiamentos diretos ou via revendas, até parcerias com associações, como a que a empresa mantém com a Abimaq há três anos, na qual associados da entidade conseguem descontos de até 20% em todos os produtos da fabricante podendo pagar em até seis vezes.

Estrutura geral
Com cerca de 900 colaboradores e headquarter nos EUA, a DS SolidWorks soma 144 mil clientes (1,525 milhão de usuários) em todo o mundo, com presença em 80 países via subsidiárias ou distribuidores.

“Somamos 1,6 milhão de licenças instaladas globalmente, tendo registrado crescimento de 60% neste quesito nos últimos dois anos”, ressalta Siqueira.

Em termos de revendas, são 436 em todo o mundo. A rede conta, ainda, com 750 parceiros de aplicação (que integram tecnologias às soluções da fabricante norte-americana em projetos pontuais).

“Temos, ainda, um universo de 50 mil engenheiros certificados em nossa tecnologia”, finaliza o country manager.

Mundo
No geral, a DS SolidWorks vem crescendo a um índice nunca inferior a 20% nos últimos cinco trimestres. No ano passado, o faturamento ficou em US$ 417,8 milhões, enquanto no primeiro semestre deste ano alcançou os US$ 236,3 milhões.

Mãe francesa
A DS SolidWorks pertence à francesa Dassault Systémes, que a adquiriu em 1997.

A Dassault, por sua vez, é uma companhia com faturamento na casa do US$ 1,56 bilhão em 2010.

Gláucia Civa cobriu o lançamento do SolidWorks 2012 a convite da DS SolidWorks Brasil.