Cláudio Grando

A Audaces, de Florianópolis, acaba de se tornar a primeira empresa brasileira a entrar para a Business Software Alliance (BSA), associação de produtores de software para proteção contra a pirataria.

A companhia catarinense é focada em software para a indústria têxtil.

Conforme o diretor de Negócios da Audaces, Cláudio Grando, a pirataria representa cerca de 10% da base de total de usuários do software para o setor de vestuário no mercado brasileiro.

Só em janeiro de 2009, por exemplo, quando a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de Florianópolis cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em empresas do Vale do Itajaí e Norte do estado, detectando softwares piratas em uso ou à venda em 47 locais, grande parte das cópias ilegais era do Digiflash, da Audaces.

Na época, o diretor Comercial da companhia catarinense, João Francisco dos Santos, informou ser impossível calcular o prejuízo, já que a companhia não sabia exatamente quantas cópias piratas de sua solução para automação da indústria têxtil estavam em poder de cada um dos autuados.

Em uma conta rápida, porém, foi possível ter uma ideia: cada licença do software custava, na época, em torno de R$ 15 mil. Se as 47 empresas vistoriadas possuíssem ao menos uma cópia cada, a desenvolvedora catarinense teria perdido aproximadamente R$ 750 mil.

Daí o interesse em participar da BSA.

A partir de sua entrada na aliança, a Audaces passará a fazer parte de uma rede que promove ações voltadas a descobrir focos de uso ilegal de software, lançando mão de notificações extrajudiciais ou processos quando detectados tais usos.

A BSA também faz trabalhos educativos dentro das empresas, conscientizando para os riscos da adoção de software ilegal.

Presente há 10 anos no Brasil, a aliança já fazia o serviço para clientes internacionais como Microsoft, Adobe e Symantec. Agora, a Audaces também conta com o auxílio.

Conforme o diretor da BSA no Brasil, Frank Caramuru, a associação demorou para ter um membro nacional porque era relativamente desconhecida para o mercado brasileiro.

“As produtoras nacionais de software, no geral, ainda encaram o problema de forma passiva”, afirmou Grando, em entrevista à Reuters. "Existe a consciência de que a pirataria prejudica o desenvolvimento da indústria e de novos softwares, mas há pouco investimento para combatê-la", completou.

A Business Software Alliance divulga estudos anuais sobre o nível de pirataria em diversos países. No Brasil, o último levantamento é de maio de 2010 e revela que o país tem o menor nível de pirataria dentro do chamado BRIC.

Além disso, a pesquisa mostra que a utilização do software pirata no país vem caindo, mas ainda responde por mais da metade dos programas instalados em computadores: de 58% em 2008, a taxa caiu para 56% em 2009.

Piratas além mar
E não é só no Brasil que a Audaces enfrenta problemas com pirataria.

A empresa exporta suas soluções para 24 países e também contará com assessoria da BSA na Colômbia e Argentina - onde o uso ilegal estimado dos softwares da companhia fica em torno de 5%.

A ilha e os piratas
Se por um lado Santa Catarina demonstra um triste histórico de pirataria de software, por outro também é referência em ações de combate a esta prática.

Depois da ação combativa de janeiro de 2009, em julho do mesmo ano a Deic voltou a cumprir mandados de busca e apreensão contra empresas do estado suspeitas de utilizarem softwares ilegais.

Desta feita, não somente grande parte, mas sim todas as companhias averiguadas eram do setor de confecções, situadas nas cidades de Laguna, Grão Pará, Armazém, Tubarão, Jaguaruna, Treze de Maio, Criciúma, Morro da Fumaça, Nova Veneza, Gravatal e Sombrio.

Novamente, a vítima maior era a Audaces.

Conforme declarou, na época, João Francisco dos Santos, o prejuízo maior não chega a ser amargado pela companhia, mas sim pelos usuários.

“Isto porque, ao instalar um software falsificado, a empresa pode estar abrindo acesso à suas máquinas para pessoas mal intencionadas, que podem espionar suas operações, roubar seus dados, entre outras coisas”, explicou Santos.

Além disso, quem usa software pirata não conta com, por exemplo, a infraestrutura de hardware oferecida aos clientes da Audaces, como um plotter para riscagem de confecções e uma máquina para corte.

Serviços, atualizações e suporte também, é claro, são exclusivos para quem utiliza licenças legais.