A Quint, consultoria holandesa especializada em gerenciamento de serviços, governança e melhoria do desempenho de TI, concluiu um estudo com 40 empresas européias e indianas para mapear os “Doze Fatores Críticos Para o Sucesso do Offshore Outsourcing”.

O estudo revela um mercado com crescimento superior a 20% ao ano, devendo movimentar US$ 101 bilhões globalmente em 2010.

A Índia, que já tem seu mercado saturado, deve absorver 50% desse faturamento, enquanto os outros 50% serão disputados por outros países.

A pesquisa também mostra que mais de 50% das empresas afirmou que terceiriza sem saber o que tem dentro do ambiente de TI.

Segundo o country manager da Quint para o Brasil e México, Ulysses Pacheco, embora o levantamento tenha sido realizado na Europa e Índia, essa realidade é bastante comum também na América Latina.

“Uma das grandes dificuldades das companhias latinas está em documentar seus processos. Este procedimento é fundamental para quem pretende terceirizar”, explica ele. “A questão é saber quais os fatores que o CIO pretende medir e como antecipar os pontos onde há problema, além de apontar os próximos passos”, relata.

Ainda conforme Pacheco, a maior parte dos executivos de TI tem dificuldade de avaliar se uma migração ou implantação envolvendo novos fornecedores terá sucesso.

Segundo ele, o fornecedor entrega justamente aquilo que o cliente de TI contratou, e não o que o usuário final realmente precisa. Portanto, existe discrepância e dificuldade em mapear as necessidades do negócio e cruzar essas informações com o que o fornecedor oferece.

“Por este motivo, o ideal é que as estruturas passem por avaliações detalhadas e monitoramentos constantes dos requisitos internos”, destaca o country manager.

Por outro lado, a área de informática está preocupada com seus próprios parâmetros, como disponibilidade e performance, afirma a pesquisa da Quint – dificilmente estes profissionais estão de olho nos indicadores de negócio. Das 43 empresas ouvidas, apenas 18 têm este cuidado.

Para garantir o sucesso do offshore outsourcing, Pacheco ressalta doze passos como fundamentais:

1. Crie um relacionamento entre empresa e fornecedor de alta qualidade;
2. Saiba administrar requisitos e mudanças;
3. Estabeleça a estrutura correta de governança de sourcing;
4. Administre as diferenças culturais;
5. Comunique-se da melhor maneira possível;
6. Alinhe os processos de entrega;
7. Administre a transferência de conhecimento;
8. Defina o contrato corretamente, com riqueza de detalhes;
9. Aproxime-se do sourcing offshore estrategicamente;
10. Selecione cuidadosamente os fornecedores de serviços;
11. Administre de perto a performance do offshore de sourcing;
12. Seja seletivo no que diz respeito ao offshore.

O offshore outsourcing no Brasil
No promissor mercado mundial de offshore outsourcing, o Brasil está apto a tirar uma bela casquinha: conforme dados da Brasscom, o país tem mais de 1,7 milhão de profissionais de TI com experiência, escolas técnicas e universidades que formam cerca de 77 mil profissionais por ano em áreas relacionadas à TI.

Além disso, instituições de ensino técnico, graduação e pós-graduação do país aperfeiçoam a cada dia mais profissionais nas plataformas Oracle, SAP, TOTVS, BI, CRM, SOA, EAI, mainframe, Unix, Linux, .Net, Java, Natural Adabas, entre outras, destaca a entidade.

Ainda conforme a Brasscom, o mercado local de offshore outsourcing estará aquecido nas áreas de serviços financeiros, e-gov, manufatura, Telecom, petróleo e gás e varejo.