No ringue da cloud computing, Oracle e SAP se enfrentam compra a compra

A Oracle acaba de adquirir a Taleo, fabricante de software para gestão de pessoal com base em cloud computing, por US$ 1,9 bilhão (US$ 46 por ação).

A compra está sendo avaliada pelo mercado como uma reação ao movimento recém feito pela SAP, que adquiriu a SuccessFactors, também especializada em soluções para gestão de talentos em nuvem, por US$ 3,4 bilhões.

No caso da Oracle, a expectativa com a transação é gerar uma oferta abrangente de serviços e soluções em nuvem para gerenciamento de operações de recursos humanos, segundo Thomas Kurian, VP de Desenvolvimento da companhia.

“As soluções de gerenciamento de talentos da Taleo são complementos para a nuvem pública da Oracle”, declara o executivo.

A Taleo oferece ferramentas para gestão de talentos focadas em áreas como aprendizagem, recrutamento e desenvolvimento, remuneração e planejamento sucessório, entre outras.

Atualmente, a companhia tende a cerca de cinco mil clientes em todo o mundo, sendo responsável por lidar com 15% das contratações de funcionários nos EUA.

Analistas norte-americanos analisam a compra como sendo a segunda mais importante realizada pela Oracle nos últimos seis meses, atrás apenas da fornecedora de aplicativos em nuvem RightNow.

De acordo com avaliação divulgada pela consultoria Bloom & Wallace, por exemplo, a tendência é que as companhias, especialmente Oracle, SAP e outros nomes grandes na nuvem, como Salesforce.com, anunciem novas compras na área de HCM nos próximos meses.

“As compras da SuccessFactors e da Taleo refletem uma crescente preocupação por parte da SAP e da Oracle em relação ao aumento da jornada de trabalho”, afirma análise da consultoria.

Duelo de gigantes
Preocupação exposta em uma espécie de “batalha de titãs” do mundo do software de gestão: se a Taleo tem a carteira recheada que tem, a

SuccessFactors não fica atrás, com cerca de 3,5 mil empresas clientes, que somam em torno de 15 milhões de assinaturas de seu serviço, conforme dados do Financial Times.

O jornal afirma, ainda, que a empresa é a segunda maior de serviços de software baseados na nuvem, depois da Salesforce.com.

Ringue
Aliás, a compra da SuccessFactors ocorreu logo após a Oracle adquirir a RightNow.

Na época, o co-chief executive da SAP, Bill McDermott, chegou a declarar que a compra fazia da companhia alemã uma “potência na nuvem”.

Para analistas ouvidos pelo Financial Times, a aquisição foi uma declaração de fortalecimento.

Motivo: segundo eles, até então a SAP vinha pisando ainda em falso na nuvem, em uma tentativa de ajustar seu software baseado em cloud, o Business by Design, que não foi aceito massivamente pelos consumidores na velocidade que a SAP esperava.

Cloud = cartel?
Um relatório divulgado há poucos dias pela consultoria Forrester Research traçou um panorama obscuro para o segmento de cloud computing para os próximos oito anos.

Conforme a projeção, disputas como as travadas por Oracle e SAP tendem a levar o setor tendem a deixar o setor nas mãos de “cartéis da computação” até 2020.

“A cloud computing será controlada por pouquíssimas companhias, que lutarão pelo direito de hospedar os dados das empresas”, afirma o estudo.

Com isso, a pesquisa acredita que muitas empresas tradicionais da computação corporativa serão desalojadas, dando poder a outras, formando o que a consultoria define como cartéis, os quais “controlarão milhões de servidores em data centers ao redor do mundo”.

O relatório não fala na SAP, mas na Oracle, sim.

Outras empresas citadas como possíveis integrantes dos cartéis são Amazon, Cisco, Google, IBM eMicrosoft.