O Brasil é, ao lado do Japão, o maior mercado para a uruguaia Artech, que vende a plataforma Genexus para mais de 60 países, com presença direta ou via distribuidores em 35 deles.

 
Conforme Breogán Gonda, presidente da companhia que para este ano projeta crescimento por volta de 20% na receita, os dois países compartilham uma participação em torno de 15% nos negócios - o que, segundo ele, se deve a peculiaridades que assemelham dois mercados muito distintos. 
 
“Apesar de serem países completamente diferentes, Brasil e Japão compartilham características como uma economia em franco e constante crescimento, consumo interno agressivo e salários altos, que fomenta este consumo”, avalia o executivo.
 
Mas não é de agora que o Brasil mostra sua representatividade no negócio da Artech: a própria idéia do Genexus nasceu por aqui, na década de 80.
 
“Eu trabalhava em São Paulo, sempre focado em projetos de grandes bases de dados. Por volta de 1984, começou a nascer no país a demanda por aplicações para este tipo de base, e estar ali foi primordial”, comenta Gonda. “A plataforma teria nascido se eu estivesse, por exemplo, em Chicago, onde também havia empresas monstruosas, mas São Paulo tinha ainda mais variedade, foi o mercado-chave para o nascimento do Genexus”, completa.
 
Nascida em 1985, mas oficializada comercialmente em 88, a plataforma de desenvolvimento de software uruguaia traz até hoje o que o presidente identifica como o diferencial que não lhe deixa concorrentes: tudo, desde a captura de demandas que gerarão novos desenvolvimentos, até a última aplicação usada na ponta pelo cliente final, é automático.
 
Desenvolvedor duas mil vezes mais produtivo
“O tradicional é planejar, desenhar, projetar e depois programar milhões de linhas de um sistema, tudo na mão. Nós não fazemos isso, oferecemos uma máquina de fazer sistemas”, explica. “Com isso, se pode aumentar a produtividade de desenvolvimento em duas mil vezes, além de economizar em manutenção, que é 100% automática”, complementa.
 
Futuro antecipado
Segundo Gonda, a plataforma também garante adequação constante das empresas a novas tecnologias, já que permite a captura automática de dados relativos a novas demandas e viabiliza aos desenvolvedores a criação mais rápida de aplicações para atendimento das necessidades nascentes.
 
Tradição em cloud
Para dar exemplo disso, ele cita a cloud computing.
 
“Nossa plataforma está preparada para a nuvem desde que se começou a falar, ainda de forma incipiente, neste modelo, há cerca de oito anos”, garante o presidente.
 
Mobilidade no foco
E daqui para a frente, o foco do GeneXus é a mobilidade - área à qual a plataforma já atende desde os primórdios do uso do Windows Móbile.
 
Dentro disso, a meta é oferecer recursos para atendimento rápido de demandas de todas as plataformas. 
 
“Se você cria um aplicativo só para Android, ou só para iOS, ou só para Blackberry, não faz sentido: vender, tem que ser para todos. E desenvolver para cada plataforma é demorado. Oferecemos o recurso de criar, depois só adequar a oferta para cada sistema, e pronto”, ressalta o executivo.
 
O ócio que rende
Outro segmento na mira da Artech é o que Gonda chama de “mercado do ócio”, que envolve turismo, lazer e áreas afins. 
 
Nisso, o grande mote do GeneXus é o uso para criação de aplicações focadas em geolocalização para smart devices.
 
Nós, fora!
Além do que a Artech pretende fazer nos próximos anos, o presidente também é enfático em relação a frentes em que a empresa não vai entrar. 
 
Games, por exemplo. 
 
“Não vamos fazer trabalhar com nenhum tipo de aplicação autosuficiente, que rode em um smart device e pronto. Para nós, o que traz vantagem são aplicações embasadas em grandes bases de dados, que usem nossa tecnologia para atender a demanda que houver, na plataforma que houver, no momento que ocorrer”, destaca o executivo.
 
O cliente típico
Conforme Gonda, a maioria dos clientes do GeneXus são grandes corporações. Warner Music e Toyota, por exemplo, fazem parte da lista.
 
A afirmação do executivo refere-se a uma percepção de mercado que ele admite já ter existido, especialmente no Brasil, de que a plataforma da Artech é focada em pequenas e médias software houses.
 
Segundo Gonda, ledo engano.
 
“Desde o início foi assim, inclusive no Brasil. Paulatinamente é que as software houses aderiram à nossa plataforma, o que foi um ganho: hoje, dois terços dos grandes clientes nos compram via distribuidores, e o restante é atendido pelas software houses, que acabam sendo não só nossos clientes, como também intermediários no processo de expansão da plataforma”, afirma o presidente. 
 
Formar para crescer
O executivo acredita que a percepção errônea sobre o público alvo do Genexus possa vir da carência de mão de obra qualificada na área.
 
Para solucionar o problema, a Artech investe em parcerias com universidades e centros de formação, como as que mantém com as gaúchas Unisc, Sociedade Educacional Tres de Maio (Setrem), GX2 e BXT, e as catarinenses Universidade do Vale do Itajaí e Instituto Gene Blumenau (da FURB).
 
Há, ainda, parceiros em São Paulo, como Fatecs Três Rios e Praia Grande, Dash Tecnologia e Heurística. 
 
A campinense Heutech completa a lista.
 
“Também estamos batendo muito na tecla da formação e certificação à distância”, afirma Gonda. 
 
Cada um no seu quadrado
O ensino à distância, aliás, é um dos pilares de um modelo que a Artech assumiu nos últimos dois anos, conforme o presidente.
 
Antes, não havia muita diferenciação: distribuidor podia ser desenvolvedor, assim como também podia atuar como adaptador de conteúdo para oferta de cursos.
 
“Hoje, optamos por uma divisão de negócios. Um distribuidor não pode ser desenvolvedor, senão corremos o risco de uma software house, por exemplo, encará-lo como seu concorrente”, afirma Gonda. 
 
Assim, hoje na Artech é cada um no seu devido posto: desenvolvedores, distribuidores e formadores, todos em divisões de negócio bem definidas.
 
Gláucia Civa cobre o XXI Encontro GeneXus, em Montevidéu, a convite da Artech.