Financiar empresas que desenvolvem software sob demanda ainda não é possível pelo BNDES. E não será tão cedo caso os empreendedores não se mobilizem.

O recado foi dado por parceiros do banco durante o workshop Fundos Garantidores – Inovando Cidades, realizado nesta segunda-feira, 13, no Tecnopuc.

O encontro reuniu a Oscip Garantir RS e seus parceiros: Caixa RS, BRDE e Sicredi.

O exemplo da chinchila
Não se trata de má vontade para com a área de tecnologia e inovação. O próprio Tecnopuc recebeu R$ 21 milhões do BNDES e da Caixa RS para a construção de um novo prédio.

O problema é específico de empresas que trabalhem com software fora da "caixinha".

“Ainda não temos esse tipo de linha”, disse Sidney Souza, representante do CaixaRS. “A saída é tentar sensibilizar o BNDES através de uma entidade e mostrar há uma falha no atendimento desse setor”, sugeriu.

Segundo Souza, entidades, associações e cooperativas devem se mobilizar, mostrando às instituições financeiras que “a necessidade não é de um só, mas de todos”. “Quando isso ocorre numa instância superior, entre entidades, e não entre indivíduo e instituição financeira, essas reivindicações levam à sensibilização”, completou.

Luciano Feltrin, falando pelo BRDE, disse que o esforço já deu certo, numa área um tanto distante da TI, mas com o mesmo problema.

“Criadores de chinchila do Estado queriam uma linha de financiamento dentro dos programas do BNDES. A reivindicação foi apresentada através de uma associação, o pedido passou por uma avaliação técnica e acabou aceito, passando a valer já no ano seguinte”, relatou.

O segredo, disseram os palestrantes é mobilizar-se.

Fundo cobre problema da garantia
Outros gastos, como compras de equipamentos e capital de giro já têm linhas de financiamento.

Parceiras do BNDES, BRDE e CaixaRS oferecem o crédito à micro, pequenas e médias empresas, cujos faturamentos tenham sido de R$ 2,4 milhões a R$ 90 milhões no último exercício fiscal. Nos três casos, o BNDES cobra a TJLP, mais 0,9% ao ano. No BRDE, as regras são similares.

Como garantia, as instituições aceitam hipoteca de bens imóveis e equipamentos financiados. Quem não têm nenhum nem outro, pode recorrer ao GarantiaRS, Oscip criada em 2004 com o objetivo de garantir os financiamentos de empresas.

“A empresa de TI não precisa ter patrimônio, como um terreno, ela precisa de uma sala e de pessoas que desenvolvam os projetos. Mas às vezes é necessário ter algo mobilizado para garantir um financiamento”, Rafael Bernardes, gerente de marketing, comercial e comunicação da Garantia RS.

Uma taxa mensal de 0,15% ao mês, sobre o total do investimento, com o limite de até 6% do total do financiamento, é cobrada pelo Garantia RS.

Caso a empresa atrase em 60 dias o pagamento da parcela – diz Bernardes – a Garantia RS entra em ação como fiadora.

“É uma ótima alternativa para as empresas que não possuem um patrimônio físico”, disse Bernanrdes.