Problemas locais, como as enchentes que assolaram Santa Catarina recentemente, terão mais impacto sobre a economia brasileira, especialmente no que pode interferir em decisões de investimento, do que a crise do mercado norte-americano e europeu.

 
É o que acredita o country manager da Artech, Gerardo Wisoski. Para ele, alegar impactos da crise por aqui é “mais desculpa de quem não quer investir, por outros motivos, do que realidade”.
 
O executivo, que palestrou no XXI Encontro GeneXus, realizado da segunda-feira, 12, à quarta, 14, em Montevidéu, destacou que, em casos como o caos vivido por Santa Catarina em função do mau tempo, aí sim há razões para preocupar o mercado.
 
“Estas situações afetam muito mais a economia, as empresas em si. Nosso maior cliente, por exemplo, fica em Rio do Sul-SC, e oito pessoas que deveriam estar aqui no evento, não estão”, afirmou Wisoski.
 
Ainda segundo ele, outras 15 pessoas, também usuários do Genexus, de Blumenau, também não puderam comparecer ao encontro, por conta dos alagamentos.
 
Dois meses, não mais
Ao contrário do que se possa temer, Wisoski acredita em um fortalecimento cada vez maior do mercado brasileiro – que, segundo ele, não costuma viver mais de dois meses de crise, a cada leva de recessão internacional.
 
“A meu ver, trata-se do principal país do BRIC, e é difícil dar um número exato que possa mensurar nossa operação aqui, mas posso dizer que não há, em outros mercados, uma curva de crescimento como a que temos no Brasil, em termos constantes de novos clientes”, afirma.
 
Bola, sim. Bolha, não
O executivo também acredita em um crescimento ainda mais acentuado do país em função dos eventos esportivos que irá sediar, como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos 2016.
 
“O Brasil vai encerrar as Olimpíadas com um mercado muito forte, muito aquecido. Não se trata de uma bolha: por aqui, o crescimento, a economia e o mercado forte existem e seguirão sendo assim, cada vez mais”, destaca.
 
Probleminha
No geral, a América Latina está protegida contra as crises internacionais, acredita Wisoski.
 
Entretanto, segundo o country manager, o que pode resultar em problemas é não as dívidas dos países, mas sim das pessoas.
 
“A dívida interna, pessoal, é preocupante. As pessoas estão muito endividadas: o latino-americano, hoje, tem muito acesso à compra, muito mais poder aquisitivo e de crédito do que antigamente, e abusa”, comenta ele. “Você vê empregados de baixo cargo comprando carros superiores aos de empregados de altos postos. Temo por uma onda de desemprego: se isso acontecer, aí sim se pode ter crise na região. Senão, não temo”, finaliza.
 
Gláucia Civa cobre o XXI Encontro GeneXus, em Montevidéu, a convite da Artech.