A Autodesk lançou nessa quinta-feira, 14, uma gerência unificada de vendas em nível mundial, unindo os departamentos antes focados nas Américas, Ásia e Europa, cada um com seus próprios gerentes e políticas próprias.

A reorganização da área de vendas é mais um dos movimentos da multinacional de CAD 3D norte-americana no sentido de facilitar a vida dos canais.

Hoje com 10 milhões de usuários e faturamento US$ 1,95 bilhão no seu último ano fiscal, a Autodesk faz a maior parte das suas vendas através de 1,9 mil canais em todo mundo, cerca de 50 deles no Brasil.

“A ideia é simplificar, simplificar e simplificar”, resume Steve Blum, vice presidente mundial de vendas e serviços da Autodesk.

Além das mudanças no modelo de negócio, a companhia também vai mudar a maneira como entrega os produtos, desde a mídia até o conteúdo.

Centenas de softwares serão condensadas em sete suítes focadas em verticais de mercado, entregues em drives USB no lugar da série de DVDs usada antes.

“Queremos reduzir a complexidade da venda e da entrega dos produtos, facilitando o trabalho dos canais”, promete Andrew Anagnost, vice presidente de Suites, Subscriptions e Webservices da Autodesk.

De acordo com  Anagnost, mesmo que cada cliente acabe não usando todos os softwares disponíveis nas suítes, a compra é mais lucrativa tanto para os canais quanto para as revendas.
Na área de webservices, a Autodesk começa a dar os primeiros passos, oferecendo renderização online outros serviços via web.

Atuante em um segmento onde os softwares exigem grande capacidade de processamento e muitas vezes geram dados cheios de informações ligadas à propriedade intelectual, a Autodesk é, no entanto, cautelosa ao embarcar na tendência do cloud computing.

“Nossa ideia é oferecer alguns serviços online só para os clientes que tenham subscriptions do produto”, revela o executivo. “É uma forma de aumentar a fidelização”.

América Latina
Na América Latina, o esforço por simplificar os negócios passou por uma consolidação do sistema de distribuidores. Dos 12 antes existentes, espalhados por 20 países da região, a empresa passou a atuar apenas através da chilena Sonda.

As exceções na região são o Brasil e o México, mercados tidos como mais promissores, onde a Autodesk atua com distribuidores específicos, como a carioca PARS, no caso brasileiro.

No último ano fiscal a Autodesk cresceu 14%, em meio à recuperação do baque gerado pela crise econômica mundial, que derrubou o faturamento em 26% em 2009.

O impacto da crise ajudou a realçar o foco em mercados emergentes como o brasileiro, onde não houve desaceleração nos negócios.

“Nossa meta é sempre crescer pelo menos o dobro que a operação americana”, revela Oscar Silvosa, diretor de canais para América Latina da Autodesk.

No caso do Brasil, a maior revenda é a gaúcha Grapho, que atua por meio de cinco filiais no país e vendeu 6 mil licenças de softwares Autodesk em 2010.

* Maurício Renner viajou a San Francisco para o Autodesk Channel Summit à convite da Autodesk.