Vender ERP não é fácil. No setor calçadista do Sul, onde os sistemas de gestão ainda são feitos em casa ou comprados de pequenas empresas locais e as escassas implantações de ferramentas de grandes do mercado acabaram em fracassos retumbantes, é uma missão para poucos.

Mas é justamente a isso que se propõe a alemã Integrated Systems, que vem prospectando mercado na região há dois anos e acaba de abrir filiais em Joinville e Porto Alegre com intenção de fazer deslanchar os negócios na região em 2010.

“As empresas que não melhorem a gestão e controle da produção vão sair do mercado. Vi essa situação acontecer na Alemanha há 20 anos atrás”, avalia Karl Beierer, diretor da Integrated Systems que esteve no Brasil cinco vezes em 2009 visitando clientes e representantes locais.

O esforço da companhia, dona de uma base de 100 clientes nos setores de calçado e vestuário espalhados pela Alemanha, Áustria, Suíça e Itália para abrir espaço no complicado mercado do Sul não se reflete somente na milhagem aérea de Beierer.

Os representantes da chamada Isag do Brasil - o alemão radicado no Brasil há 13 anos Stefan Kallenberg em Joinville e o gaúcho Jorge Vargas em Porto Alegre – já visitaram cerca de 30 clientes potenciais.

Alguns deles devem viajar a convite da empresa para a sede da Integrated Systems em Radolfzell, na fronteira alemã-suíça, para conhecer o software a fundo. “Queremos mostrar que não somos mais uma empresa fazendo promessas”, garante Kallenberg.

Faz parte da estratégia de diferenciação também a associação ao IBTeC, reconhecida entidade do setor calçadista.

O executivo alemão afirma que o ERP Logi-Soft já foi devidamente traduzido para o português e adaptado para o complicado sistema fiscal brasileiro, em parceria com a CGI, uma empresa de Marau especialista em desenvolvimento Progress, no qual a ferramenta está baseada.

A meta é obter um cliente vitrine para deslanchar os negócios no país, inclusive oferecendo custos reduzidos. “Esse sistema se paga só com a economia. Depois que rompermos a barreira do primeiro cliente o crescimento será rápido”, projeta Beierer.