A SAP Brasil está colhendo os frutos de uma estratégia de ofensiva sobre o mercado de TI governamental desenhado em agosto do ano passado.

 
A multinacional alemã formou há 12 meses um grupo específico de oito canais para receber treinamentos e consultorias sobre a melhor maneira de melhorar os resultados da companhia na administração pública municipal, estadual e federal.
 
Formam parte do grupo Stefanini, SQL Tech, 5X, First Decision, NetMind, CPM Braxis, Sonda e Softtek.
 
Um dos primeiros grandes contratos fechados desde o começo das atividades do grupo foi banco de desenvolvimento regional do Sul BRDE, que fechou um contrato para troca de todos seus sistemas legados por uma plataforma de core banking e back office da SAP por R$ 33,5 milhões.
 
Ganho pela Stefanini em uma disputa que também envolveu a Totvs, o contrato terá duração de dois  anos e meio, envolverá 30 profissionais da consultoria e 50 do banco, e tem um valor total de R$ 33,5 milhões.
 
Outros contratos de peso foram fechados com o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), uma empresa resseguradora vinculada ao Ministério da Fazenda e com a estatal de processamento de dados carioca, revela Sérgio Camorcio, diretor de canais da SAP Brasil, há seis meses na empresa vindo da IBM.
 
“Também temos contratos menores, como a prefeitura de Americana, no interior de São Paulo”, comenta Camorcio, destacando o ganho em gestão e controle de medicamentos que a cidade obteve com o investimento no sistema de gestão para pequenas e médias organizações da SAP.
 
O esforço da SAP por ganhar tração na administração pública faz sentido: o governo nos seus diferentes níveis responde por cerca da metade do gasto de TI no país, que em 2010 ficou em torno de R$ 100 bilhões segundo o Gartner.
 
No caminho, além do ciclo de vida mais longo da venda e a base de cases menor do que a já obtida na iniciativa privada, está uma visão favorável ao desenvolvimento interno e, em muitos casos, pró software livre. 
 
Dos US$ 563 milhões movimentados pelo software livre no mercado brasileiro em 2010 – cerca de 2,95% do bolo total - 66% correspondem a gastos do governo, segundo dados de um estudo do IDCr recentemente divulgado pela Abes.