A  BrOffice, OSCIP que detém os domínios ligados ao software de escritório open source BrOffice, hoje com 15 milhões de usuários no Brasil, atravessa um racha.

Uma petição online com críticas ao Conselho Administrativo da entidade publicada nesta segunda-feira, 21, pedindo a realização de uma assembleia geral já conta com 500 assinaturas online.

O abaixo assinado é mais um capítulo de um confronto entre os integrantes do conselho e o presidente da entidade, Cláudio Filho.

Filho cricou a comunidade no Brasil OpenOffice.br em 2001 – depois, por problemas de registro do nome OpenOffice no país, os desenvolvedores se agruparam sob a marca BrOffice, registrada por Filho.

A BrOffice.org foi criada em 2005, com intenção de fornecer uma identidade jurídica que ajudasse na captação de recursos para a promoção dos encontros nacionais da comunidade BrOffice.

Com o tempo, o conselho e Filho entraram em discrepâncias, e a nota de divulgação do abaixo assinado acusa o primeiro de ser “oligárquico” e adotar práticas “obscurantistas, unilaterais e antidemocráticas” visando excluir o presidente do processo de decisão.

Na prática, o conselho retirou o apoio da entidade para a realização do encontro nacional para 2011.  No ano passado, participaram da atividade quatro mil pessoas em atividades espalhadas por 20 estados brasileiros.

Além disso, Filho foi retirado como representante do BrOffice.org do Centro de Excelência em Desenvolvimento de Software Livre, uma iniciativa financiada pela usina de Itaipú.

O conselho também pediu a subsituição de Filho como representante brasileiro no The Document Foundation, organização mundial que coordena a migração do OpenOffice para o LibreOffice após o racha da comunidade com a Oracle, nova proprietária da Sun, empresa que desenvolvia o OpenOffice.

O TDF foi avisado da situação que atravessava a comunidade brasileira e não concedeu a mudança.

“Chegamos a um ponto de inflexão. Ou mudamos essa situação, ou a comunidade vai se afastar da organização”, afirma Filho.

A reportagem do Baguete Diário falou por telefone com Olivier Hallot, diretor financeiro da BrOffice.org e membro do conselho, apontado por fontes próximas como um dos principais articuladores pela saída de Fiho. Hallot não quis fazer comentários.

Carlos Braguini, outro dos membros do conselho de administração, aceitou falar na condição de associado ao BrOffice.org.

Braguini destacou que a decisão de não realizar o evento se deve a dificuldades de caixa da organização, situação que pode mudar e permitir a organização do encontro ainda em 2011.

“Ambos os lados perdem com esse racha entre a organização jurídica e a comunidade”, acredita Braguini.

O Brasil é hoje a maior base instalada no mundo de software de escritório open source, garante Filho.

Se isso pode mudar por causa briga entre facções do BrOffice.org - em meio a ascensão de soluções gratuitas na nuvem e do assédio da Microsoft – é algo que o tempo dirá.