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Discretamente, a Autodesk deu o primeiro passo na chegada total dos seus softwares ao universo da computação em nuvem.

 
Desde junho, usuários interessados em comprar o Autocad LT, podem usar uma versão de trial online, rodando na nuvem, sem baixar nada no computador. 
 
A oferta ainda é restrita geograficamente (não está disponível para o Brasil), vale somente para o LT, a versão leve e 2D da solução da companhia e mesmo assim está escondida em meio à oferta do software na Amazon, mas existe.
 
O CAD é uma das áreas da indústria do software mais lentas em embarcar em novas tendências tecnológicas, pela necessidade de processamento dos aplicativos e as preocupações de segurança em relação os arquivos gerados, muitas vezes cheios de propriedade intelectual.
 
Mesmo assim, concorrentes como a Dassault Systèmes tem se movimentado rápido. Em julho, os franceses anunciaram a entrada de todas as soluções do seu porfólio baseadas na plataforma V6 na Amazon Web Services.
 
Até então, as empresas do segmento – entre elas a Autocad – tinham usado recursos de computação em nuvem para prover funcionalidades de mobilidade aos seus softwares, para promover serviços específicos de simulação e renderização ou colaboração entre usuários da mesma empresa.
 
A Autodesk,  primeira empresa a oferecer CAD para PCs, em 1982, é cautelosa em fazer promessas sobre colocar toda a solução disponível online.
 
“Tecnicamente, poderia ser feito hoje. Mas as expectativas de resposta do usuário e não podemos nos arriscar em um software que é a porta de entrada do universo Autodesk”, resume a vice-presidente de Marketing da Autodesk, Karen Brewer.
 
Karen prefere enfatizar os aplicativos baseados em nuvem que já estão funcionando, dando retorno financeiro e inclusive inserindo a até então 100% corporativa Autodesk no mundo do usuário final.
 
Um deles é Autodesk SketchBook, um aplicativo para iPhone e iPad que permite fazer pequenos projetos gráficos, já baixado 7 milhões de vezes. Para uma comparação, a base total de usuários dos softwares corporativos da empresa é de 12 milhões.
 
Claro que aplicativos vendidos na App Store a US$ 1,99 não contribuem para os resultados como os softwares corporativos – o Autodesk LT, um dos mais simples e baratos da linha, sai por US$ 889 na Amazon – mas o sucesso dos aplicativos para consumidor tem outros efeitos.
 
“Estamos estabelecendo uma ponte entre o universo do consumidor e do profissional, além de promover o interesse em design”, acredita Karen. 
 
Lynn Allen, evangelista ténica da Autodesk, tem um exemplo bem direto das implicações da novidade. 
 
“Outro dia eu disse à cabeleireira que trabalhava na Autodesk. Ela sabia na hora do que se tratava. O marido dela era tatuador e fazia designs no SketchBook. Isso não costumava acontecer muito seguido”, se diverte expert em CAD americana.
 
Brasil no foco
Líder no segmento de design para arquitetura, engenharia e construção e com atuação também nos ramos de manufatura e entretenimento, a Autodesk parece ter colocado o Brasil no foco das suas atenções.
 
Meia dúzia de altos executivos da companhia estiveram em São Paulo nesta quarta-feira, 21, participando da primeira edição no país do Autodesk University, um evento voltado a usuários finais que atraiu 1,4 mil pessoas.
 
O Brasil é o quarto país a receber um evento do gênero, depois dos Estados Unidos, Japão e China. 
 
A Autodesk faturou US$ 1,95 bilhões em 2010, uma alta de 14% frente aos resultados de 2009. Desse total, 15% por vieram dos mercados emergentes, grupo que inclui Rússia, Índia, China e Brasil. 
 
* Maurício Renner participou do Autodesk University em São Paulo a convite da Autodesk