Verdi anunciou a abertura de um escritório da SAP em Porto Alegre

A SAP vai abrir um escritório em Porto Alegre ainda no primeiro semestre deste ano.

A operação terá como foco o Rio Grande do Sul, embora também possa atender a projetos de toda a região Sul, hoje atendidos pela unidade de São Paulo.

Em foco, estarão os setores de varejo, utilitties e metal-mecânico/metalúrgico, este último com destaque para a Serra Gaúcha, onde a SAP já atende a clientes como Marcopolo, Randon e Lupatech.

“Já temos pessoas trabalhando nesta operação, porém ainda alocadas em São Leopoldo, onde temos o SAP Labs”, contou o presidente da SAP Brasil, Luis César Verdi, durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 26, em São Paulo. “Começaremos com pouca gente, já que é uma unidade comercial – a consultoria ficará com os parceiros e o suporte, com nossa rede global, como é costumeiro”, complementou.

Entre os parceiros regionais, a SAP conta com nomes como ITS, Meta e grandes empresas com operação local, como Sonda Procwork e Stefanini.

O escritório gaúcho vai também dar atenção ao agronegócio, um dos focos da SAP para crescer no Brasil em 2011. Entretanto, esta é uma área a ser ainda mais trabalhada pela empresa em outras regiões, como o Centro-Oeste e interior paulista, onde a criação de gado se destaca.

A nova unidade não será a única a ser inaugurada pela multi alemã este ano no país: Brasília também está nos planos, e também para o primeiro semestre.

“Já contamos com escritórios em São Paulo e Minas Gerais, este inaugurado em 2010. Agora, vamos expandir a presença regional”, afirmou Verdi. “Também pretendemos, este ano, crescer via canais, focando o SMB, em regiões onde ainda temos menos expressão, como o Nordeste e Norte”, acrescentou.

A coletiva também apresentou os resultados globais e nacionais da companhia.

De 8º para 3º em um ano
Conforme o balanço do ano passado, o Brasil subiu da 8ª para a 3ª posição no ranking das subsidiárias mais lucrativas da empresa em receita de software entre 2009 e 2010.

Só neste segmento, a operação nacional mostrou crescimento de 91% ano/ano, ou 89% na comparação entre o 4T09 e o 4T10.

“Já em receita geral, crescemos 45% no país no ano que passou e 56% se compararmos os quartos trimestres de 2009 e 2010”, ressaltou o presidente.

Contabilizando também receitas com manutenção e serviços relacionados, a unidade fica entre as cinco primeiras da lista. Em receita geral, por volta da 12ª posição.

Brasil além da meta mundial
Para 2011, a meta é que a operação brasileira cresça acima da média mundial da SAP, cuja previsão é fechar com expansão entre 10% e 14% sobre 2010.

Ainda no país, a fornecedora alemã de softwares de gestão agregou 359 novos clientes no ano, somando 2.872 ativos na carteira – destes, mais de 1 mil no portfólio Business One, sua solução para o SMB.

A equipe também cresceu: foram contratados 270 novos colaboradores para a subsidiária, sendo a maioria para as áreas de suporte e consultoria, gerando um aumento de 31% no time local.

Outros resultados no Brasil...
Ainda no Brasil, as vendas de software da companhia só para o setor de grandes empresas teve aumento anual de 93%. Já a comercialização para pequenas e médias subiu 82%.

As vendas indiretas saltaram 110% ano/ano, o que, segundo Verdi, é um impulso para o B1 e All in One, já que são os canais os únicos responsáveis pelo atendimento às PMEs no país.

... na América Latina...
Quanto à operação latino-americana, a SAP registrou crescimento de 48% na receita de software de 2009 para 2010. Levando-se em conta também os serviços relacionados, a expansão fica em 31%.

A adição de clientes na região foi de 1,8 mil no ano que passou, somando um total de 10,9 mil.

“Então, como explicar que, deste total, apenas cerca de um quarto tenha sido no Brasil, que é hoje nossa 3ª maior subsidiária em software? Simples: em várias regiões da América Latina e Central, como Costa Rica, Panamá, Peru e Caribe, agregamos mais clientes de pequeno e médio porte. Já por aqui os contratos foram mais com clientes de grande porte”, salienta Rodolpho Cardenuto, presidente da SAP AL.

... e no mundo
Apesar de o lucro da SAP ter recuado 36% no quarto trimestre de 2010, frente ao mesmo período do ano anterior, somando € 437 milhões, Cardenuto afirma ter sido este trimestre o melhor da história da empresa.

Isto porquê outros indicativos apresentaram crescimento, como a receita, que subiu 27% no período outubro-dezembro de 2010, somando € 4,06 bilhões, e as vendas de software,  que aumentaram 35% em relação ao 4T09 e resultaram em  € 1,51 bilhão.

Já em todo o ano passado, o lucro da SAP cresceu 4%, contabilizando € 1,82 bilhão, e a receita ficou em € 12,5 bilhões, ganho de 17% sobre o resultado de um ano antes.

No segmento de software, as vendas da multi alemã em 2010 se expandiram 25%, chegando a € 3,3 bilhões. Software e serviços relacionados somaram € 9,9 bilhões, alta de 20% ano/ano.

Amor e ódio
Questionados sobre a estratégia para combater a Oracle, player forte do setor de gestão empresarial com quem a SAP travou e perdeu, em 2010, uma batalha judicial por infração de direitos autorais de softwares, Cardenuto e Verdi afirmam tranquilidade.

“Nossa estratégia, para começar, é totalmente diferente deste competidor. Não oferecemos ao cliente uma única opção de fornecimento, pelo contrário: trabalhamos com um vasto ecossistema de parceiros, que complementam nossas soluções em cada área, e estamos abertos, a cada contrato, à negociação junto ao cliente quanto à escolha do parceiro a ser empregado para atendimento de sua demanda”, ressalta Verdi.

O executivo refere-se ao fato de que, após a compra da Sun Microsystems, a Oracle ter passado a fazer ofertas completas e integradas de software, hardware, serviços e aplicações variadas.

“Veja o caso de banco de dados, por exemplo: trabalhamos com vários parceiros neste segmento. Um deles, inclusive, a própria Oracle, em regime de OEM”, finalizou Verdi.

Gláucia Civa cobriu a coletiva de imprensa da SAP em São Paulo a convite da SAP Brasil.