José Antônio Félix, presidente da NET

A NET lançou nessa terça-feira, 02, em Porto Alegre, o NOW, serviço de video on demand (VOD).

Disponível para assinantes dos pacotes NET HD e do NET HD Max, a plataforma NOW dá acesso a um acervo de filmes e outros programas disponíveis a qualquer hora.

No caso dos conteúdos  já exibidos nos canais, o serviço é gratuito.

Já os lançamentos e outras ofertas especiais saem  por preços que vão de R$ 3,90 a R$ 9,90 – num sistema de aluguel por 24 ou 48 horas, para os lançamentos. A faixa de preço é próxima das grandes locadoras.

Os conteúdos ficam num servidor próprio da NET e são repassados diretamente às casas dos assinantes.

Já estão no NOW a rede Telecine – oferecendo títulos pagos e gratuitos – além dos canais SportTV, Multishow, gente, Globonews e Discovery, entre outros.

Em Porto Alegre, o serviço já está disponível em alguns bairros – como Ipanema, Menino Deus, Azenha, Moinhos, Bela Vista e Santa Teresa – e deve chegar a 100% da cidade até o final do ano.

Líder de mercado no Brasil, com 41,5% de share no primeiro trimestre, segundo a Anatel, a NET se prepara para enfrentar novos players que avançam no cerne do seu negócio: home entertainment.

Briga na sala de estar
“Hoje as pessoas querem ficar mais em casa, em função dos crimes e outros problemas. Essa tendência tem nos alavancado desde que começamos, há cerca de 20 anos”, relembra José Antônio Félix, presidente da NET, que esteve em Porto Alegre para o lançamento.

Idos os 1990, a banda larga tem se popularizado e, com ela, o acesso a filmes e séries pela internet.

Os vídeos online se popularizaram. Em março desse ano, 86,5% da população total de usuários no Brasil, segundo a comScore, acessou conteúdos desse tipo na internet.

Além disso, a distribuição online atrai  marcas não tradicionais em telecom, como FNAC e Saraiva. E, em breve, essas modalidades terão um novo representante de peso no mercado nacional, com a prometida chegada da Netflix à América Latina.

Não vai colar
Para Daniel Barros, vice-presidente de Operações da NET Brasil, nada preocupante:

“Primeiro que eles não devem oferecer por um preço muito abaixo do mercado. Além disso, eles têm streaming pela internet, não têm a qualidade HD, ou 3D, que nós temos. E, sem entrar no mérito da ilegalidade, ficar vendo filme no computador muito chato”, defende o executivo.

Segundo a comScore, foram 35 milhões de usuários únicos acessando vídeos online em março desse ano, público já habituado ao uso da internet para consumo de produtos audiovisuais.

A NET, no mesmo mês, tinha 4,33 milhões de usuários, sendo que nem todos eles são usuários dos pacotes HD, em torno dos R$ 140 ao mês.

Para usufruir de toda a oferta, no entanto, o cliente ainda teria que investir numa TV de alta definição, com preço a partir de R$ 1.300, segundo anúncios de lojas de Porto Alegre. A NET não revela o número de assinantes por pacote.

Atualmente, a Netflix tem mais de 23 milhões de assinantes nos Estados Unidos e Canadá, pagando US$ 15,98 por mês – após a alta dos preços no mês passado. A expectativa é de que o serviço comece no Brasil em setembro. A Netflix já contratou até uma agência digital para campanhas de mídia no país.

Briga nos cabos
Das quatro maiores operadoras de TV por assinatura no Brasil, apenas NET e SKY (27,43% de mercado) anunciam serviços de video on demand. Embratel, Telefonica e Oi, respectivamente com 13,2%, 4,88%  e 3,34%, não têm ofertas de VOD em seus sites.

Novos players vêm aí.

Com anúncios de R$ 10 bilhões em investimentos no Brasil até 2016, a GVT promete ampliar sua atuação na banda larga e entrar com força na TV paga.

Tudo com o suporte da Vivendi, conglomerado de mídia francês, acionista da gravadora Universal Music e da companhia de videogames Activision Blizzard, € 28,88 bilhões (R$ 64,2 bilhões) em 2010.

Para o presidente da NET, nada que assuste. “Me sinto seguro de saber que, onde nós estamos, temos a liderança em market share”, diz Félix.

Apesar da situação confortável, não são tempos de se acomodar. Hoje em mais de 100 cidades, a NET prepara o caminho para chegar em novos municípios com a TV paga, só aguardando a oferta de outorgas pela Anatel.

Em Niterói, Salvador e Recife, por exemplo, a empresa não pode oferecer TV, mas já se prepara par entrar com telefonia e banda larga, à espera de uma oportunidade.

“Claro que a mesma infraestrutura vai comportar os serviços de TV por assinatura”, arremata Félix.

No ano passado, a NET encerrou com o total de 4,2 milhões de clientes em todo o Brasil. Em banda larga, foram 3,5 milhões. Na telefonia, 2010 encerrou com 3,1 milhões. A expectativa é de encerrar 2011 com faturamento entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões, e investimento de R$ 1,5 bilhão, sendo R$ 500 milhões para o Sul e entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões só em Porto Alegre.