Com uma proposta quase R$ 6 milhões mais alta do que a melhor oferta apresentada no pregão eletrônico para fornecimento do primeiro lote de componentes do PNBL, a Padtec, de Campinas, venceu a licitação nesta quarta-feira, 04.

A proposta apresentada pela companhia ficou em R$ 68,990 milhões, enquanto a mais barata, feita pela ZTE, foi de R$ 63,106 milhões, seguida pela também chinesa Huawei, de R$ 63,678 milhões, e da sueca Ericsson, com R$ 63,993 milhões.

Apesar da oferta mais alta, a Padtec foi a única brasileira participante do pregão, e, conforme afirmado anteriormente por Rogério Santanna, presidente da Telebrás, estatal que gere o Plano Nacional de Banda Larga, o projeto vai garantir prioridade à indústria nacional para a compra de equipamentos.

A transação, porém, ainda depende da avaliação de documentos de habilitação e de negociação com a Telebrás.

Dos 58 equipamentos que compõem o pacote licitado pela estatal, a fornecedora campinense ficou em primeiro lugar em 23.

Na relação entre as concorrentes estrangeiras e a nacional, a diferença dos preços praticados saltam aos olhos: no item 50, por exemplo, que trata da prestação de serviços de operação do sistema, a oferta de menor preço foi a da Huawei, com R$ 44,5 mil, enquanto a Padtec cobrou R$ 398,1 mil.

Em outros itens, a situação se inverte: quanto ao sistema de gerência, composto de hardware, software e licenças, a Padtec cobrou R$ 39,8 mil, ao passo que a Huawei pediu R$ 600 mil.

Conforme Santanna, todas as compras da Telebrás vão seguir as normas previstas na Medida Provisória 495, que dá preferência às empresas - nacionais ou estrangeiras - que fabricam no país.

As regras são válidas inclusive para processos em que que o valor do produto nacional seja superior ao importado, informa o Valor Online.

A MP 495 está em tramitação no Congresso, mas vale até o fim de novembro. Neste meio tempo, segundo Santanna, a estatal pretende garantir suas principais encomendas baseada nas regras da medida provisória.

Com faturamento anual na casa dos R$ 200 milhões, a Padtec emprega cerca de 250 colaboradores. Além da sede em Campinas, a companhia possui escritórios em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Argentina, Peru, México e Israel.

A empresa é controlada pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), fundação de direito privado que era o braço tecnológico da Telebrás, antes da privatização do sistema de telefonia do país, e detém 65,7% de participação na Padtec.

O restante do controle da companhia campinense pertence à holding de investimentos em TIC Ideiasnet.

Confome o presidente da fabricante ncional, Jorge Salomão Pereira, a empresa ainda vai negociar reduções de preço junto a seus fornecedores de insumos, baseados essencialmentes nos EUA e Japão.

Entretanto, o valor praticado na proposta apresentada à Telebrás não seria alto, segundo o executivo, já que não superou 10% do preço total e garante o emprego de tecnologia 100% nacional no projeto.

Ponto para o GENTE!
A decisão a favor da Padtec fortalece a ideia do GENTE - Grupo de Empresas Nacionais de Tecnologia, formado em julho deste ano com o objetivo de buscar oportundiades para fortalecimento da indústria nacional de telecom por meio das demandas geradas pelo PNBL.

A empresa de Campinas, aliás, é uma das integrantes do grupo, que conta ainda com Gigacom, CPQD, ASGA, WXBR, Trópico, Icatel, Parks, Digitel e Datacom, sendo essas últimas três gaúchas.

Uma das metas do consórcio é, inclusive, combater a concorrência de chinesas como Huawei e ZTE nas concorrências abertas pelo Plano Nacional de Banda Larga.

Para os gestores do GENTE, a agressividade de preços praticada pelas companhias chinesas, favorecida pelo câmbio e pelo que críticos dizem ser incentivos desleais do governo chinês, pressiona competidores do setor de TIC de todo o mundo.

“O GENTE é a união de empresas brasileiras que investem, ao ano, mais de R$ 150 milhões em P&D - em média 20% de seus faturamentos”, definiu, em julho, o coordenador do consórcio, Roque Versolato, à reportagem do Baguete.

Na época, Versolato questionava como a presidência da Telebrás faria para cumprir sua promessa de priorizar a indústria nacional no fornecimento de insumos ao PNBL, especialmente em caso de licitações públicas, quando geralmente o preço é o quesito definitivo de escolha.

A vitória da Padtec parece ter, pelo menos por enquanto, sanado a questão.

Entretanto, o GENTE tem uma visão de ainda mais longo alcance: as dez integrantes, segundo Versolato, têm capacidade para suprir as necessidades do PNBL em hardware e redes, mas també em software e serviços de implantação e operação das estruturas.

O máximo que pode acontecer, segundo o gestor do consórcio, é que as fabricantes nacionais necessitem lançar mão, em alguns casos, de até 5% de importação de equipamentos.