As empresas de telefonia celular querem dobrar o número de antenas no país nos próximos cinco anos, relata o SindiTelebrasil.

Hoje, o Brasil tem cerca de 50 mil estações rádio base (ERBs). Para atender às necessidades de expansão do serviço nos próximos anos, devem ser necessárias 100 mil antenas.

Para que o aumento do número de antenas não provoque poluição visual nas cidades, as operadoras estão dispostas a “disfarçar” os dispositivos.

“Podemos colocar a antena em uma fachada e pintar a antena da cor da fachada. Ou colocar a antena em um conjunto de coqueiros e a antena disfarçada de coqueiro, ou esconder com alguma coisa que não interfira na transmissão”, propõe o diretor executivo do SindiTelebrasil, Eduardo Levy.

Em relação a possíveis danos à saúde da população com o aumento do número de antenas, Levy diz que estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) comprovam que não há riscos.

Além disso, já existe uma lei federal no Brasil que estabelece limites à exposição humana a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos.

O Sinditelebrasil vai apresentar nos próximos dias ao Ministério das Comunicações sugestões para um projeto de lei que deverá ser elaborado pelo governo para unificar todas as leis sobre a instalação de antenas de celulares no país.

Segundo a entidade, existem atualmente mais de 250 leis municipais sobre o assunto, o que burocratiza a instalação de novas antenas.

Uma delas é em Porto Alegre, onde o regulamento sobre a distância entre as estações de rádio pode impedir que a tecnologia 4G esteja operando na capital gaúcha até a Copa de 2014.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reconhece que o grande número de leis sobre o assunto restringe o crescimento do setor.

Ele lembra que as empresas terão que fazer muitos investimentos nos próximos anos para atender às demandas de qualidade impostas pelo governo e também à chegada da telefonia com tecnologia de quarta geração (4G).

“Nós vamos cobrar investimentos, mas, por outro lado, temos que dar condições para que os investimentos aconteçam”, diz Bernanrdo.

Segundo o ministro, o Ministério das Comunicações já trabalha para produzir um projeto de lei federal estabelecendo uma única regra para a infraestrutura da telefonia, que valerá para todo o país.

Mas ele garante que o atendimento dessa demanda das empresas não significa que o governo vai acolher todos os pleitos das teles, como o adiamento do leilão de 4G.

“Reconhecendo a justeza de alguns argumentos não quer dizer que nós vamos reconhecer que toda a choradeira tenha razão de ser”, diz Bernardo.

O Brasil têm 245,2 milhões de celulares e só, no ano passado, foram adicionados 39 milhões de novos usuários à base de clientes, sendo que mais da metade (52%) são de acessos em banda larga móvel.