Um estudo elaborado pela consultoria Europraxis indica que o Brasil deverá ter de dez a 15 milhões de usuários de operadoras móveis virtuais, as chamadas MVNOs, até 2015.

A consultoria avalia que o mercado desta nova modalidade de negócios responderá, em quatro anos, por um faturamento de até R$ 3,5 bilhões.

Aprovado pela Anatel em novembro de 2010, o modelo de MVNOs permite que companhias de diferentes segmentos firmem parcerias com operadoras de celular tradicionais e passem a também oferecer serviço móvel.

De acordo com o estudo "MVNO - Oportunidades no Brasil", da Europraxis, o Brasil já conta com mais de 202 milhões de usuários de telefonia móvel, sendo que mais de 80% deles têm preferência pelo sistema pré-pago.

A consultoria também indica que, hoje, na América Latina, menos de 1% dos usuários de telefonia móvel são MVNOs, quadro que é bem diferente na Europa e EUA, onde o número chega até 20%, dependendo do país.

“Qualquer empresa está apta a se habilitar como uma MVNO e, no Brasil, diversos segmentos já têm demonstrado interesse. O varejo, por exemplo, conseguiria expandir a influência de sua marca e obter receita adicional revendendo serviços de telecomunicações ou ampliar a fidelização dos clientes por meio de concessão de minutos, alavancando-se sobre sua rede de distribuição e base de clientes”, afirma a pesquisa.

O segmento financeiro é outro indicado como possível prestador deste tipo de serviço, com foco especialmente na área de Internet Banking pelo celular e mobile payment.

Para a telecom, a gama de possibilidades é infinita, destaca o estudo: oferta de serviços móveis para clientes da linha fixa e desenvolvimento de soluções integradas de convergência fixo-móvel, além de soluções customizadas de voz, dados e integração de aplicações e plataformas para o público corporativo.

“Por fim, o setor de mídia conseguiria disponibilizar conteúdos multimídia para o público jovem, por exemplo, ao passo que estabelece um canal direto de comunicação com esse público”, complementa o levantamento da Europraxis.

Uma empresa pode atuar como autorizada, tornando-se um operador do SMP (Controle de Acesso ao Serviço Móvel Pessoal), compartilhando a rede com a prestadora de origem (operadora de celular) e utilizando o seu espectro de radiofrequência.

Há, ainda, a possibilidade de atuar como agente credenciado, no qual a operação da empresa fica a cargo da prestadora de origem.

São três os níveis dos modelos de negócios possíveis: cada operador virtual pode se posicionar como revendedor, ESP (Enhanced Service Providers) ou MVNO completo.

Porto Seguro saiu na frente
No Brasil, a seguradora Porto Seguro já se tornou MVNO, em uma parceria com a TIM anunciada em fevereiro deste ano.

O acordo, que lançou a primeira operadora de celular virtual do país, também inclui a Datora Telecom, focada na compra e venda de minutos de chamadas e controlada pela Chaicomm do Brasil Holding, que é acionista da recém formada Porto Seguro Telecomunicações.

Pela aliança, a seguradora vai atuar no modelo de “autorizada”, ou seja: a operadora virtual fica responsável pela operação das ofertas, gestão de tráfego, emissão de contas, atendimento a clientes e acordos de interconexões.

"Para a TIM, o mercado da MVNO é promissor e a empresa já mantém conversas avançadas com outras potenciais operadoras virtuais”, declarou, na época, Antonino Ruggiero, responsável por Wholesale da TIM e presidente da Intelig.

Segundo o executivo, a previsão é que as MVNOs atraiam 16 milhões de assinantes no país e US$ 1 bilhão de faturamento em cinco anos.

A consultoria
Responsável pelo atual estudo sobre MVNOs no Brasil, a Europraxis é uma consultoria pertencente à espanhola Indra, que está presente no país desde 1996.

A consultoria é composta por cinco divisões - Consulting, ALG, Turismo e Lazer, Opteam e Curious – e emprega 400 profissionais no Brasil, Venezuela, França, Itália, Alemanha, Portugal, México, Argentina, EUA, Equador, Dubai, China e Marrocos.

Por aqui, a Europraxis atende a clientes como Vivo, Telefônica, Grupo Votorantim, Coca-Cola e WalMart.