A Visa anuncia planos para acelerar a migração para a tecnologia de chip EMV com e sem contato nos Estados Unidos.
 
Para conseguir esta aceleração, a companhia aposta em várias frentes.
 
Uma: a partir de 1º de outubro de 2012, a companhia expandirá seu Programa de Inovação Tecnológica (TIP, na sigla em inglês) para os EUA.
 
Com o TIP, os comerciantes elegíveis ficarão desobrigados de validar anualmente seu atestado de conformidade com os padrões PCI DSS sempre que pelo menos 75% das transações anuais Visa de seu estabelecimento forem iniciadas em terminais para leitura de chip.
 
Para se qualificarem, os terminais desses estabelecimentos comerciais devem ser capazes de receber pagamentos via chip com e sem contato, incluindo os sem contato baseados na tecnologia NFC.
 
Os terminais compatíveis somente com chip ou apenas com a tecnologia sem contato não se qualificarão para o programa nos EUA.
 
Duas: construção de uma infraestrutura de processamento para aceitação da tecnologia de chip, com exigência de que fornecedores de serviço de processamento e subprocessamento de adquirentes dos EUA estejam aptos a dar suporte à aceitação de pagamentos com chip nos pontos-de-venda até no máximo 1º de abril de 2013.
 
Esses provedores deverão ser capazes de transmitir e processar os dados adicionais inclusos nas transações com chip, incluindo a mensagem criptográfica que faz de cada transação uma transação única.
 
A Visa dará maiores orientações no Business Enhancements Release, publicação semestral para as processadoras de adquirentes, para que eles se certifiquem de que seus sistemas são realmente capazes de suportar transações de chip EMV com e sem contato.
 
Três: mudança na responsabilidade pelo uso de cartões falsificados.
 
Nos EUA, a Visa pretende instituir uma mudança na responsabilidade pelas transações realizadas no ponto-de-venda com a presença física de um cartão doméstico ou internacional falsificado.
 
A alteração entrará em vigor no dia 1º de outubro de 2015. Para postos de combustível, o prazo vai até 1º de outubro de 2017.
 
Atualmente, as transações efetuadas no PDV com cartões falsificados são, em sua maioria, absorvidas pelos emissores dos cartões.
 
Com essa mudança, caso um cartão de chip com contato seja apresentado a um estabelecimento comercial cuja estrutura não inclua, no mínimo, um ou mais terminais de leitura de chip com contato, a responsabilidade pela fraude pode ser transferida para o adquirente desse estabelecimento comercial.
 
O anúncio da Visa se baseia em programas internacionais similares, criados para incentivar a migração para o chip EMV.
 
Em fevereiro de 2011, por exemplo, a companhia anunciou o Programa de Inovação Tecnológica para os estabelecimentos comerciais situados fora dos Estados Unidos.
 
O programa, disponibilizado a partir de 31 de março deste ano, reconhece o aumento na segurança resultante da autenticação dinâmica baseada no chip EMV e oferece benefícios aos estabelecimentos que atualizarem sua infraestrutura para aceitar o chip.
 
"Conforme a infraestrutura de pagamentos no ponto-de-venda for evoluindo da tarja magnética estática para os dispositivos inteligentes, como os cartões com chip EMV e os celulares baseados em NFC, também é fundamental que os portadores de cartão tenham a certeza de que conseguirão realizar transações de pagamento convenientes", afirma Ellen Richey, diretora de Risco da Visa.
 
Para isso, segundo ela, a Visa está criando uma nova carteira digital, dotada da funcionalidade “clique para comprar” e que suporta a autenticação dinâmica em vários canais, incluindo o comércio eletrônico.
 
"A adoção da tecnologia de chip de interface dupla ajudará a preparar a infraestrutura de pagamentos dos EUA para a chegada dos pagamentos móveis baseados na tecnologia NFC, construindo a base necessária para a aceitação e o processamento das transações com chip realizadas no ponto-de-venda mediante assinatura ou senha pessoal", explica Ellen.
 
Já Jim McCarthy, líder global de Produtos da Visa, destaca que a tendência é que os pagamentos móveis via NFC, e outras tecnologias emergentes baseadas em chip, cresçam nos próximos anos.
 
"Estamos nos mobilizando hoje para criar uma estrutura comercial capaz de acompanhar futuras oportunidades de crescimento”, aposta ele.
Com a autenticação viabilizada pela tecnologia de chip, as chances de um criminoso usar dados roubados diminuem bastante, segundo McCarthy.
 
Isto porquê, ainda que os dados do cartão sejam comprometidos, o criminoso não consegue usar um cartão falsificado no ponto-de-venda sem a presença dos elementos presentes unicamente no original.
 
"Quando reduzimos a autenticação estática, os dados de portadores de cartão furtados pelos criminosos passam a ter um valor menor, beneficiando todos os stakeholders", ressalta o executivo.
 
A diretora de Risco da Visa adianta, ainda, que, globalmente, a operadora continuará dando suporte a vários métodos de verificação da autenticidade do portador de cartão, incluindo assinatura, senha pessoal e transações de baixo risco e valor realizadas sem assinatura.
 
"No longo prazo, a expectativa é que a implementação de novas formas dinâmicas de verificação da autenticidade do portador de cartão acabe reduzindo ou eliminando de vez os métodos de verificação estática", acredita ela.