Sidney Fabiani, presidente da Gemelo.

A Gemelo, empresa de ousourcing de TI de São Paulo, quer ganhar mercado no Sul do país para uma abordagem diferente para centros de dados: o data center em container.

 
O produto é justamente o que o nome diz. Um data center dentro de um container, com capacidade para até 17 racks. 
 
O diferencial é nos custos. O valor mensal, incluindo a administração, é pode variar entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, cerca de R$ 3 mil por rack, com um gasto de energia 40% menor.
 
Também será oferecida uma opção compartilhada, na qual as empresas poderão contratar o racks individuais por valores em torno de R$ 5 mil. A meta é um container compartilhado e outro exclusivo vendidos no primeiro trimestre de 2012.
 
“Nos últimos três anos, o valor do rack em um data center Tier III saltou de R$ 2 mil para R$ 16 mil. Nossa oferta é muito competitiva”, aponta Sidney Fabiani, presidente da Gemelo.
 
Segundo o executivo, o produto é especialmente atraente para empresas com sites em locais remotos ou necessidades temporárias de processamento – em alta com a vinda de mega eventos como a Copa do Mundo e Olimpíadas.
 
Fabiani frisa o atrativo extra para empresa fora do eixo Rio-São Paulo, que tem custos de conexão associados, se quiserem usar serviços dos data centers Tier III, uma vez que os já existentes e os atualmente em construção ficam em São Paulo.
 
O CDC não é certificado Tier III – não existe a validação para o modelo – mas o presidente da Gemelo afirma que o produto é compliance com todas as especificações da norma.
 
De forma geral, Fabiani é enciclopédico ao explicar as inovações do chamado Container Data Center (CDC), que consumiu R$ 2 milhões em investimentos desde a concepção em 2009, até o lançamento, em outubro deste ano.
 
“Os data centers construídos nos últimos dois anos ainda usam tecnologia de 10 anos atrás. Está errado”, cutuca o executivo, listando uma dezena de inovações técnicas na refrigeração, cabeamento e parte elétrica do CDC.
 
A Gemelo, abriu as portas em 2001 como um investimento da Intel e da Compaq e foi assumida pelos sócios brasileiros em 2006, deve fechar o ano com um faturamento de R$ 24 milhões, com projeção de chegar a R$ 40 milhões em 2012.
 
Os números de faturamento não traduzem as ambições para o longo prazo da companhia, que recentemente contratou o ex-VP da Tivit Adenilson Francisco – todo o time da empresa é formado por ex-HP, Accenture e Tivit, frisa Fabiani, na Gemelo desde a fundação, em 2001.
 
Além disso, a companhia teve um terço do seu capital adquirido pelo fundo Capital Tech.
 
Data center próprio
Hoje a Gemelo se divide entre outsourcing de infraestrutura e de processos, usando data centers de terceiros. 
 
O plano é oferecer o pacote todo, através da construção de um data center próprio em Cotia, nas margens da rodovia Raposo Tavares.
 
A construção – como não – estará baseada em CDCs, o que deve ser o grande diferencial do empreendimento, aponta Fabiani.
 
“Data center é um negócio que larga com um alto custo fixo de infra não usada. Nós vamos apostar numa abordagem modular, container a container”, revela o executivo.
 
Assim, ao invés de gastar os R$ 50 milhões que custariam um data center Tier III de 1,7 mil m2, a empresa se propõe a fazer o investimento em tacadas de R$ 2 milhões cada, para as quais deve entrar em cena um investidor novo em 2012, com mais R$ 12 milhões em capital.
 
“Depois das primeiras seis rodadas de investimento, os ganhos do datacenter pagarão sua expansão”, projeta Fabiani.