O Google acaba de comprar a Motorola Mobility.

A aquisição fio divulgada pelo CEO do gigante de buscas na web, Larry Page, no blog oficial da companhia.

Page não chegou a divulgar o valor ou outros detalhes da transação, mas analistas de mercado já divulgaram que estimam algo em torno de US$ 12,5 bilhões.

Conforme divulgado pelo CEO, a aquisição não vai mudar o comprometimento da empresa em rodar o Android como uma plataforma aberta.

“Rodaremos a Motorola como um negócio separado”, afirma Page no blog.

No ranking dos maiores negócios de TI na história, a compra é um dos 20 primeiros.

O casamento da Motorola custou ao Google mais do que a Microsoft pagou recentemente pelo Skype (US$ 8,5 bilhões), e do que a Oracle deu pela PeopleSoft em 2003 (US$ 9,96 bilhões), e pouco menos do desembolso da HP pela EDS em 2008 (US$ 13,13 bilhões).

No segundo trimestre, a Motorola registrou receita maior do que a esperada, mas sua expectativa para o ano foi mais baixa do que o mercado previa.

A companhia teve prejuízo de US$ 56 milhões, comparado com um lucro de US$ 80 milhões.

Somado ao fraco resultado o fato de que o Google já tem o lado mair forte das parcerias com fabricantes – o Android, que domina 43% do mercado de smartphones, já é do Google – surge a pergunta: por que comprar a Motorola, com prêmio de 61%?

Page explica:

“A compra vai aumentar a competitividade por dar mais força ao portfólio de patentes da Motorola, que vai nos permitir proteger o Android de ameaças anticompetitivas da Microsoft, da Apple ou de outras companhias”, escreveu o executivo.

Desde o ano passado, a Motorola tem se metido em brigas judiciais com empresas como Microsoft por problemas de patentes em aparelhos com o Android.

Nessa briga, o Google pode ser um aliado de peso.

“Sempre amei meus Motos”
Interesses estratégicos a parte, Page curte a fase de namoro com a Motorola.

Empresa com “80 anos de inovação”, escreve Page em seu blog, a Motorola Mobility herdou a parte de comunicação pessoal da Motorola Inc na divisão de janeiro desse ano – a outra metade é a Motorola Solutions.

O portfólio de inovações da empresa inclui o celular mais fino e leve da década passada: o StarTAC, pioneiro entre os aparelhos flip – “de abrir”.

Lançado em 1996, o StarTAC foi eleito o sexto melhor gadget dos últimos 50 anos pela PC World.

Passados 13 anos, a Motorola emplacou outra distinção, com o Droid, modelo lançado em outubro com a plataforma Android, do Google. O celular foi eleito pela revista Time o gadget do ano.

“Eu sempre amei meus aparelhos Motorola, do StarTAC aos Droids”, se declara Page.

E a HTC?
Apesar das juras de amor, o namoro Google e Motorola não é antigo. Os primeiros modelos com Android tinham outra marca no chassis.

A HTC, empresa asiática com faturamento de US$ 9,7 bilhões em 2010 (14% a menos que o resultado da Motorola no mesmo ano), colocou no mercado os modelos G1 – primeiro celular com o Android – , G2 e Google Phone, o modelo oficial do Google.

Em termos de share, tanto faz uma ou outra.

No segundo trimestre de 2011, HTC e Motorola se distanciam por 0,2 ponto percentual, respectivamente na sétima e oitava posição no ranking de fabricantes de celulares, segundo o Gartner.

A Motorola, no entanto, tem mais força no mercado de tablets, com o modelo Xoom sendo um dos concorrentes do iPad.