A Ativas está em fase de revisão de sua política de atuação.

O data center mineira, que no ano passado anunciou uma estratégia de canais, agora mira a abertura de escritórios próprios, e o Sul é um dos focos: uma unidade de vendas já foi aberta em Curitiba. Seis contratações estão previstas para os próximos meses.

A ideia é atender os três estados da região a partir da capital paranaense.

Curitiba foi também um dos primeiros locais onde a Ativas firmou acordo com um canal, a Premier IT, que segue atuando em parceria. Ao todo, são cinco canais no país atualmente.

Além da cidade, a companhia tem escritórios e time de vendas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

O CEO da Ativas, Alexandre Siffert, dá a motivação clara da priorização por estas regiões: são os maiores mercados do país, onde a economia permite retornar aos acionistas da empresa - Grupo Asamar e Cemig Telecom - o investimento feito no lançamento do negócio.

“Investimos US$ 50 milhões na construção de nosso data center, inaugurado em dezembro de 2010, e nosso primeiro biênio de negócios será voltado ao retorno deste investimento. E é nestas regiões que está o dinheiro, segundo avaliações, por exemplo, do IDC”, destaca.

Em 2010, a Ativas atuou mesmo antes da abertura daquele que foi o promeiro data center Tier III da América LatinaI, em um espaço alocado nas dependências da Cemig Telecom. Com essa operação, chegou a dezembro com cerca de 40 clientes na carteira de R$ 7 milhões de faturamento.

Para este ano, com a entrada em funcionamento da nova estrutura – que também tem certificação Tuv Rheinland – a meta é chegar aos R$ 40 milhões. Já em 2014, o plano é atingir faturamento anual na casa dos R$ 200 milhões.

Para chegar lá, Siffert aposta em diferenciais como a gestão de data center fim a fim.

“Oferecemos gestão de SLA de serviço de cada cliente, o que equivale a dizer que gerimos a real necessidade de cada usuário”, afirma o CEO. “Por exemplo: para um cliente da área de saúde, é básico saber da disponibilidade de recursos voltados a seus bancos de imagens médicas. Temos este nível de detalhamento na prestação do serviço”, complementa.

O setor de saúde, aliás, é desde o começo um dos focos da Ativas. Hoje, já são clientes nesta área as Unimeds BH e Rio, além da curitibana Uniodonto e Copass Saúde.

A carteira também engloba outros setores, trazendo nomes como Brasilf, Taesa, Ferrous e INDG.

Entretanto, mesmo para quem investiu tanto em uma certificação do nível da Tier III, o mercado de data center é concorrido: hoje, a Ativas já não é mais a única a oferecer este gabarito na América do Sul, já que a T-Systems também já o possui.

Além disso, a empresa concorre com players que receberam aportes de fundos de investimento, como a Locaweb.

Cemig é força e luz

Para competir – e vencer -, Siffert destaca a vantagem competitiva de ter um nome como Cemig Telecom no conselho administrativo.

“Em 2010, a Cemig Telecom adquiriu 49% de nossas ações. Com o investimento deste grupo, passamos a contar com uma estrutura, no novo data center, que oferece, por exemplo, alimentação por duas subestações de energia, já que a Cemig é provedora de energia elétrica”, destaca o executivo. “E para quem contrata data center, duas coisas são fundamentais: energia e estrutura de telecomunicações, esta última especialmente para quem contrata o modelo de cloud computing”, acrescenta.

Siffert ressalta, ainda, outros dois cases em que a Ativas é pioneira: um, a atuação como player de virtualização na camada de rede.

“Fomos os primeiros a oferecer isso com equipamento Cisco no Brasil. Somos case mundial para a fabricante”, comemora o CEO.

Outro caso é relacionado à CA, já que o data center mineiro comprou da companhia norte-americana uma solução para gerenciamento de SLAs que, conforme o executivo, nenhum outro concorrente do mercado brasileiro oferece.

“Estamos muito confiantes no crescimento do negócio nos próximos anos. Previsões do IDC, por exemplo, apontam que o mercado de outsourcing no Brasil, em especial os data centers, seguirá crescendo a uma taxa de dois dígitos por ano nos próximos quatro anos, em uma média de 15%, o que é quase o dobro da previsão para a média mundial”, aponta o CEO.

* Gláucia Civa viajou a São Paulo a convite da Ativas