Sede da Telefónica em Madrid

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Cerca de cinco bancos colocaram R$ 30 bilhões à disposição da Telesp, unidade da Telefónica, para financiar a eventual aquisição do controle da Vivo, segundo informaram fontes de mercado da Reuters.

Atualmente, a operadora espanhola divide com a Portugal Telecom a holding Brasilcel, sócia majoritária da Vivo, e a Telefônica já ofereceu € 6,5 bilhões pela fatia dos portugueses na joint-venture.

A cifra disponível à Telesp representa mais que o dobro do valor que seria necessário para a transação (pouco acima de R$ 14 bilhões) e sinaliza o apetite dos bancos para ampliarem suas carteiras de crédito, sobretudo no segmento corporativo, no Brasil.

Até agora, porém, a Portugal Telecom não aprovou a proposta da Telefônica. Os acionistas da operadora portuguesa irão deliberar novamente sobre a venda de sua participação na Vivo em assembleia marcada para a quarta-feira, 30.

Ainda que a proposta seja aprovada, a Telefónica terá que gastar mais de € 6,5 bilhões para ter o controle da companhia brasileira, já que ainda faltará comprar as ações ordinárias, nas mãos de minoritários.

Também seria preciso reorganizar os ativos societários no Brasil e, para tanto, uma das alternativas seria usar a Telesp como veículo de compra da participação da PT, incorporando a operadora móvel na fixa ou o inverso.

Dividendos
Na assembleia do dia 30, os acionistas da PT não irão votar a proposta da Telefónica de que o grupo português distribua um dividendo extraordinário se a empresa espanhola comprar a parcela da Portugal Telecom na Vivo.

A decisão foi tomada pelo presidente da mesa da reunião, António Menezes Cordeiro.

Conforme nota enviada ao órgão regulador do mercado de capitais português, Cordeiro destacou que qualquer proposta de distribuição de dividendos "só poderia ser apresentada pelo Conselho de Administração" da PT.

Ainda segundo o presidente da mesa, caso fosse aprovada, a correspondente deliberação seria nula e não deveria ser executada pelo conselho da operadora, sob pena de poder sujeitar os administradores à responsabilidade civil e criminal.

O pagamento de dividendos foi uma proposta da Telefónica para atrair os acionistas da PT a aceitarem sua proposta de compra da Vivo. A sugestão da operadora espanhola falava no pagamento de ao menos € 1 por ação como dividendo especial caso a operação envolvendo a Vivo fosse bem sucedida.