Paulo Bernardo

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, jogou mais lenha nas suspeitas de que a Telebrás, e consequentemente Rogério Santanna, seu presidente, estão perdendo força no governo.

Em entrevista ao jornal Valor dessa segunda-feira, 25, Bernardo negou que o governo esteja tentando esvaziar as operações da estatal, ressuscitada para levar adiante o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL).

Mas, o ministro reconheceu ao jornal que há ajustes que precisam ser feitos.

“Nós reorganizamos a Telebrás e queremos que ela seja nossa ponta de lança do PNBL, mas algumas mudanças precisam ser feitas”, declarou Bernardo, ao jornal.

Choro dos grandes
Entre os ajustes, pode estar uma mudança de postura do presidente da empresa, o gaúcho Rogério Santanna, que já presidiu a Procempa, em Porto Alegre.

Desde que assumiu a dianteira do PNBL, Santanna tem sido um crítico contumaz das grandes operadoras de telefonia. Além de criticar a “usura” das teles, o diretor costuma chamá-las de “choronas” e “medrosas”, já que a Telebrás promete entrar em mercados com um serviço abaixo do preço médio de mercado.

Segundo declarado pelo ministro ao Valor, o discurso terá que ser amaciado.

“Não é tarefa dela disputar mercado com as teles que estão no setor. A Telebrás deve ajudar mais a regular esse mercado, o preço da rede. Ela vai sair da disputa para ser uma articuladora de ações. É com isso que estamos contando”, disse Bernardo, ao Valor.

Choro dos pequenos
Na semana passada, em passagem por Porto Alegre, Santanna foi confrontado com o que certos representantes dos pequenos provedores chamaram de “cacofonia” no governo em torno do PNBL.

Uma das reclamações é que, desde a entrada da presidente Dilma Rousseff, e da posse de Bernardo no MiniCom, a bandeira das operadoras estaria mais alta que a dos pequenos, defendida por Santana.

“Antes, o governo federal faria o backbone, o estadual ficaria com o backhaul e a última milha caberia aos pequenos”, disse Jaime Wagner, vice-presidente da Federasul, sobre a “dissonância”.

Agora, completa Wagner, o ministro Bernardo tem se aproximado das grandes empresas do Brasil.

“O governo era pra ser caçador e agora tá se fazendo de lobo”, completa Wagner, relembrando o clássico da literatura infantil, Chapeuzinho Vermelho.

Para os pequenos, Santanna, no entanto, continua fiel aos princípios que delinearam o PNBL ainda no governo Lula, ou seja, fortalecer os provedores menores, a chamada, por eles próprios, quarta força no mercado de telecomunicações.

Dinheiro não é problema
Enquanto isso, o PNBL começa a sair do papel e chegar à fibra ótica. Com “tudo contratado do Amazonas para baixo”, conforme o próprio Santanna, chega a hora de instalar equipamentos.

Dinheiro, segundo Bernardo, não é problema.

Conforme a matéria do Valor, para garantir o acesso à alta velocidade, Dilma teria dito a Paulo Bernardo que, se for necessário, o governo estaria empenhado em oferecer R$ 1 bilhão por ano para investimentos em infraestrutura, recurso que seria gerido pela Telebrás.

“Ela [a presidente] sinalizou isso, mas é preciso ficar claro que não queremos fazer tudo com recursos do governo. Vamos fazer parcerias com quem pudermos”, disse Bernardo, ao jornal.

Na semana passada, segundo a reportagem, o ministro também encontrou-se com lideranças de diversas operadoras para discutir os próximos passos do PNBL e as tratativas que garantirão a oferta do acesso à internet em velocidade de 1 Mbps ao custo mensal de R$ 35.

Leia a reportagem do Valor (para assinantes) nos links relacionados abaixo.