Luiz Falco. Foto: Ivan Andrade

A Oi pretende instalar, até o final deste ano, 1,2 milhão de novas portas de banda larga, alcançando cerca de cinco milhões de novos usuários no Brasil, cujo mercado geral soma 28,5 milhões de usuários de banda larga residencial atualmente, segundo o Ibope. Foi o que declarou o presidente da operadora, Luiz Falco, que palestrou no Tá na Mesa da Federasul.

A meta não é só expandir a abrangência da rede da operadora, que hoje detém 96% da cobertura de banda larga do país, com 138 mil quilômetros de fibra ótica, mas sanar problemas de acesso em locais já atendidos, como é o caso da região Centro-Serra do Rio Grande do Sul, onde no ano passado representantes das esferas pública, corporativa e doméstica se reuniram para reclamar de baixa qualidade e instabilidade da banda larga ADSL oferecida pela empresa.

Uma comitiva da região chegou a vir a Porto Alegre para uma audiência com a diretoria estadual da empresa, quando melhorias foram prometidas.

Falco não soube explicitar, nesta quarta-feira, 26, se as melhorias já ocorreram, ou qual o plano para a região.

“O país é muito grande, não tenho como recordar todas as decisões e ações regionais”, justificou o presidente. “O que posso dizer é que vemos todos os problemas como transitórios. Monitoramos, ouvimos e procuramos corrigir”, completou.

Ainda conforme Falco, para as novas instalações de banda larga, as compras da Oi darão prioridade a fornecedores nacionais – o que, segundo ele, é padrão na empresa. Na próxima aquisição, em média 20% do hardware adquirido deverá ser local.

Quanto à parte de software, o presidente afirma que a companhia utiliza uma plataforma da M4U, empresa incubada da PUC-RJ.

PNBL
O presidente da Oi – que controla a BrT, adquirida no ano passado, contando com 49% de participação do governo em sua gestão – declarou que não tem, por enquanto, críticas ou elogios a fazer ao Plano Nacional de Banda Larga, do governo federal.

Para Falco, a participação da Telebrás ainda não pode ser vista como benéfica ou maléfica, uma vez que o plano não está definido.

“Não há um plano! Quando houver, será possível avaliar se criará oportunidades de expansão para as operadoras, para a população, ou se gerará alguma dificuldade”, afirmou. “Por enquanto, as reclamações que há contra a intervenção da Telebrás são sindicais, e isso é normal. Em qualquer indústria, sempre que houver algum prenúncio de mudança em regras, as representações sindicais irão se manifestar”, amenizou.

Preço baixo
Em abril, a Oi chegou a informar ao governo federal que poderia oferecer pacotes de Internet de 512 Kb por valores entre R$ 15 e R$ 35, conforme matéria do InfoAbril.

O valor fica dentro do que o governo já declarou acreditar ser ideal para levar conexão acessível às classes C e D de locais hoje não atendidos pelas operadoras de telecomunicação.

Para os jornalistas presentes ao Ta na Mesa, Falco reiterou o valor para algo em torno de R$ 37, o que seria possível somente com auxílio de medidas do governo, como desoneração tributária para o consumidor destes serviços ou uso de fundos setoriais.

Bom para todos
Ainda segundo o presidente da Oi, a expansão da banda larga, no PNBL ou fora dele, será benéfica para o país como um todo, uma vez que para cada novo acesso à Internet rápida, R$ 2 mil são acrescentados ao PIB, que cresce a uma média de 1,38 p.p. a cada expansão de 10 p.p. da banda larga, conforme números do Banco Mundial sobre o mercado brasileiro.

Falco também dividiu o país em duas faixas de mercado: o de “competição”, abrangendo cidades com potencial consumidor rentável para as operadoras; e o de “universalização”, compreende locais com demanda, mas com fraco ou nenhum potencial de retorno de investimento para o prestador.  

“No mercado de universalização, a Oi é responsável por 90% das ações do país”, comentou o presidente, citando como exemplo o programa

Banda Larga nas Escolas, feito pela Oi em parceria com o Governo Federal, que desde 2008 atendeu a 50 milhões de alunos de 87% das cidades do país.

Até o fim deste ano, a meta da Oi é chegar a todos os municípios brasileiros, com exceção de São Paulo, onde a operação de banda larga é da Telefônica.

No RS
No estado, a Oi possui 2,61 milhões de telefones fixos instalados (9% do total da Oi Brasil), atendendo a 1842 localidades dos 496 municípios gaúchos.

Já em telefonia móvel, são 1,41 milhões de celulares, ou 4% da base nacional, com market share de 12,6%.

A cobertura móvel da operadora chega a 85% da população do estado, ou 9,22 milhões de pessoas.

Já em banda larga, são 427 mil de acessos instalados, ou 10% da Oi Brasil.