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A AES Eletropaulo inicia em março a operação do projeto piloto de smart grid no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

Segundo divulgado pela distribuidora, os medidores eletrônicos serão integrados ao sistema de automação e operação da concessionária para analisar, inicialmente,  dados de dois mil clientes.

A solução visa a monitorar o sistema elétrico e automatizar uma série de ações envolvidas no processo de distribuição de energia, como a detecção e resolução de falhas à distância, por exemplo, reduzindo o tempo para reestabelecimento do fornecimento após eventuais quedas de luz.

"Vamos testar várias funcionalidades do conceito de redes inteligentes. Dentre as principais características está a Self Healing, ferramenta que atua como uma reconfiguração automática do sistema elétrico", explica Ricardo Van Erven, diretor de Tecnologia e Serviços da AES Eletropaulo.

Com a ferramenta, em caso de falta de energia, um sensor de tensão instalado no transformador de distribuição detecta a interrupção e envia a informação ao Sistema de Gerenciamento da Distribuição, que identifica outra possibilidade para restabelecer a eletricidade.

Caso isso não aconteça automaticamente, o sistema encaminha um alerta específico à Central de Operações da AES, permitindo direcionar a equipe mais próxima para atender à ocorrência.

Ainda segundo Erven, o bairro do Ipiranga foi escolhido devido às características da região, que possui consumidores alimentados em baixa e média tensão, de segmento residencial, comercial e industrial.

"Toda a instalação dos novos equipamentos será feita em paralelo à rede de energia, o que não impactará na rotina dos clientes", garante o diretor de Tecnologia.

Além desta ação, a AES Eletropaulo também está desenvolvendo outros projetos relativos à adoção do conceito de redes inteligentes.

"O smart grid não é mais uma tendência: precisa estar incorporado às ações das empresas", conclui Van Erven.

A AES Eletropaulo distribui energia elétrica para 24 municípios da região metropolitana de São Paulo, incluindo a capital. Ao todo, a região de abrangência soma uma população de 16,5 milhões de habitantes.

No Rio também
Um projeto piloto de smart grid também já está em andamento no Rio de Janeiro, na área de concessão da Light.

A distribuidora assinou, em outubro, um contrato de investimentos da ordem de R$ 35 milhões em projetos de P&D na área de redes inteligentes baseadas em tecnologia da CAS, CPqD e Lactec.

O contrato prevê a criação de novos medidores de energia com certificação digital, além da expansão do portfólio de serviços prestados aos clientes, como a criação de novos canais de interação.

Com os novos serviços, segundo Jerson Kelman, presidente da Light, a meta é que os clientes possam acompanhar os níveis de qualidade da energia recebida, entre outras opções.

Mercado de US$ 20 bilhões
O segmento de smart grid deverá movimentar em torno de US$ 20 bilhões nos próximos cinco anos, conforme pesquisa divulgada pela Cisco.

A companhia aposta neste mercado, e anunciou, em setembro passado, uma estratégia para fornecimento de infraestrutura de rede segura de ponta a ponta para clientes do setor de utilidade pública, como o de energia.

O plano compreende desde a geração de eletricidade até seu uso nas empresas e residências, baseado nos padrões de Protocolo de Internet (IP), tudo compreendido na família de ferramentas Cisco Smart Grid, que combina funcionalidades para as áreas de automação, distribuição e transmissão com gerenciamento remoto.