Rogério Santanna, presidente da Telebras, e as operadoras de telecom tiveram mais um round no ringue do PNBL nesta quinta-feira, 28, durante a Futurecom.

Os oponentes foram separados apenas por alguns minutos entre as apresentações na grade de programação.

"As operadoras desconsideraram o ingresso da classe C no mercado", esmurrou Santanna, durante a palestra Especial Banda Larga.

Hoje, a classe C representa 50% da população brasileira, com 94,9 milhões de pessoas. Desse universo, 61% têm acesso à banda larga.

Segundo Santana, as empresas não se prepararam para lidar com o novo cenário de demanda em termos de infraestrutura.

Os apagões do Speedy, da Telefónica, que em julho de 2009 deixaram milhões de usuários sem internet por pelo menos 30 horas, foram citados pelo ex-presidente da Procempa como um exemplo prático desse despreparo.

"Se fosse a Telebrás tinham fechado no dia seguinte", bateu o gaúcho. "Mas hoje ninguém mais fala disso", concluiu.

Para Santanna, o PNBL é a solução para o problema. A Telebrás foi reativada para gerenciar o backbone nacional, uma rede de fibras ópticas de 16 mil Km da Eletronet que se somará a outras redes conforme acordos futuros.

Segundo o presidente da Telebrás, a oferta estatal terá mais velocidade (512 Kbps, o dobro do pacote médio atual) e um preço menor, de R$ 35, mais barato que os atuais R$ 49 pagos, segundo a média citada pelo dirigente, por 256 Kbps.

Oi: PNBL não existe
Em outro painel, as teles se defendiam dos golpes e devolviam o bombardeio. O presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, disse que a empresa atende todos os municípios paulistas desde 31 de março. Já o dirigente de Relações Institucionais da Claro, Rodolpho Tourinho Neto, enfatizou que a empresa que não atender a classe C está morta.

Partiu do presidente da Andrade Gutierrez, um dos controladores da Oi, Otávio Marques de Azevedo, o contra ataque mais forte.

"O Plano Nacional de Banda Larga não existe. O que existe é uma lista de cidades, só. Ou, quando muito, um Plano Nacional da Telebrás", fulminou Azevedo.

Entre os problemas que Azevedo vê está na relação das 100 cidades em que a Telebrás deve começar até o final de 2010. "Em quase todas elas já existem operadoras de banda larga", protestou Azevedo, argumentando que "disputar mercado não leva à inclusão".

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), operadoras de telefonia já oferecem serviços de banda larga em 97 das 100 cidades contempladas pelo PNBL.

Na opinião do executivo, um "plano nacional de verdade" envolveria os agentes já presentes no país, dando condições de participar de forma competitiva.

A Oi - que lucrou R$ 1,36 bilhão de janeiro a setembro - foi a única das operadoras que procurou a estatal para se informar ou negociar eventuais acordos sobre o PNBL, segundo divulgado à época por Santanna.

Outra das maiores críticas do setor é a carga tributária de 50% sobre os serviços prestados. Com a entrada da Telebrás, com preços mais baixos que o do mercado, a concorrência poderia ser prejudicada na opinião das operadoras.

"A Oi também teu o seu plano nacional, e até o meio do ano que vem teremos banda larga para todos os municípios brasileiros", finalizou Azevedo.

Uma hora antes, Santanna se antecipava os golpes pelo lado das teles: "o choro é livre", dizia, repetindo o que virou seu bordão em relaçã às queixas das operadoras. Para Santanna, o mero anúncio da entrada da Telebrás nos mercados já está causando efeito, fazendo as operadoras repensarem preços e serviços.

"Nós estamos aqui para fomentar a concorrência. Quanto mais concorrência, melhor para a população", concluiu Santanna.