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Óculos agora é pelo celular

Juliana Franzon
// quarta, 30/06/2010 17:06

Um projeto de integrantes do Instituto de Informática da Ufrgs em parceria com o MIT - Massachusetts Institute of Technology promete detectar problemas visuais, como miopia e astigmatismo, através do celular.

O professor Manuel Menezes de Oliveira Neto e o aluno de PhD Vitor Pamplona, ambos da Ufrgs, além dos pesquisadores associados ao MIT Ankit Mohan e Ramesh Raskar, desenvolveram o Netra (Near-eye Tool for Refractive Assessment), aplicação para celular que usa uma peça plástica sobre a tela para determinar o receituário de lentes de óculos.

“Hoje produzimos as peças plásticas por cerca de US$ 2, mas é um processo completamente manual. Estimamos que em uma produção massiva o custo caia para US$ 0,25 ou US$ 0,50”, revela Pamplona.
 
O aplicativo é capaz de fazer um teste de refração – que detecta miopia, hypermetropia e astigmatistmo - em menos de dois minutos.
 
A Organização Mundial de Saúde estima que 2 bilhões de pessoas tenham problemas de refração e que a não correção desses erros seja a segunda maior causa de cegueira.
 
“O equipamento faz um teste e assim que se descobre um sintoma, deve-se procurar o especialista em visão. Funciona da mesma forma que um termômetro, que apenas mede a temperatura do corpo e não prescreve medicamentos”, adverte o doutorando.
 
O teste pode ser realizado a qualquer momento, sem a necessidade de um especialista treinado. Como não é utilizado laser, nem é preciso calibrar o equipamento antes do uso, e o custo de manutenção é quase zero, assegura Pamplona.
 
Para os meses seguintes está prevista a realização de testes de campo em Boston, EUA. O próximo passo é a comercialização do equipamento, que deve ser iniciada por regiões da África e da Ásia.
 
“O sistema pode vir a substituir os caros equipamentos utilizados hoje. É uma alternativa para países em desenvolvimento, onde há carência de oftalmologistas em várias regiões e nem sempre se pode arcar com os custos de um exame convencional”, analisa o PhD.
 
Técnica promete mais eficácia nos testes
O dispositivo funciona projetando padrões na retina do paciente. O celular projeta duas linhas e a tarefa do usuário é reposicioná-las por meio das teclas de seta do celular enquanto olha através do dispositivo plástico colocado sobre a tela.
 
O teste é repetido oito vezes com as linhas em diferentes partes da tela. Depois disso, a aplicação calcula a receita do usuário.
 
Se este possuir uma visão perfeita, as linhas já estarão sobrepostas em todos os casos. Do contrário, estarão separadas e o paciente precisará movê-las.

O número de pixels requeridos para a sobreposição das linhas revela os graus das lentes dos óculos.
 
“O Netra troca a tarefa de identificar regiões borradas, como nos testes com letras em um cartaz, por uma tarefa de alinhamento. Nosso olho é muito melhor em alinhar do que em distinguir borrões, portanto a técnica é mais fácil de ser realizada, melhorando a eficácia do dispositivo”, assegura Pamplona.
 
Pamplona e Oliveira Neto desenvolvem o projeto no MIT desde 2009 e contam com o financiamento do CNPq.
 
O projeto foi agraciado com um prêmio na competição IDEAS, do MIT, e no final de julho a equipe vai apresentar o Netra no ACM SIGGRAPH, conceituada conferência em computação gráfica, que acontece em Los Angeles, Estados Unidos.
 
Além da colaboração no Netra, Pamplona também é responsável pelo desenvolvimento de um software que mede e extrai análises estatísticas a partir de fotos dos vasos sanguíneos da retina humana, e que é utilizado por pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Informações adicionais sobre o Netra podem ser obtidas pelo link relacionado abaixo.

Juliana Franzon