Renato Galisteu.

Em época de vacas magras no mercado jornalístico, as agências de relações públicas buscam por outras formas de manter seus clientes satisfeitos e “na mídia”, ou seja, conhecida entre pessoas chave do mercado. Não é uma missão fácil.

Uma das alternativas que começa a crescer por entre essas empresas é o relacionamento com influenciadores, ou seja, pessoas que são referências em determinado assunto e que tocam a muitos seguidores nas redes sociais com seus pontos de vista.

Um erro comum em uma estratégia de encontrar influenciadores é acreditar no discurso dos famosos. Basicamente, o erro está em acreditar que publicidade paga é a mesma que uma rede de influenciadores. O Influenciador fará a sua propaganda se for envolvido nas atividades de seus clientes de forma mais frequente e intimista. O trato com o influenciador é extremamente relacional e não transacional, como é feito com jornalismo – e que cá entre nós precisa ser modificado.

Outro ponto é que somos impactados nas redes sociais pela imagem das pessoas e não pelo poder que elas têm de engajar seus seguidores a discutir seus conteúdos. De forma mais clara, temos estrelas das redes sociais - que não são artistas ou famosos, mas que assim se sentem -, pois em algum momento do passado disseram ser especialistas em algo que ninguém entendia e hoje sustentam essa ideia como “consultores”. Não é um crime, mas é necessário atenção.

Mas quais sãos os pontos essenciais para entender o que é um influenciador?

 

- Não é o número de seguidores, mas o número de interações por tuite ou postagem, a discussão em torno de um texto o engajamento gerado com pessoas de fora do mesmo círculo de conexões.

- Os nomes referências em um segmento são importantes, mas não são os únicos. É importante na estratégia prestigiar tanto os que estão no holofote quanto os que estão correndo atrás do mesmo espaço ou que fazem barulho sem a necessidade de exposição. Basicamente, quem está muito no foco não dá a atenção devida ao teu projeto e esses outros influenciadores correndo ao redor são essenciais para fazer as coisas acontecerem.

- O influenciador é, antes de tudo, um propagandista COM conteúdo e não um replicador de conteúdo. A tênue diferença entre essas linhas de trabalho é primordial. Influenciador é um nome bonito de um propagandista com conteúdo, e não um cara bonito, que se chama de propagandista, mas não sabe o papel do conteúdo. E ai está a grande sacada: ele não precisa escrever textos maravilhosos do seu cliente, mas saber como se expressar para pontuar e lembrar do seu cliente em momentos oportunos.

- O melhor influenciador é o interno. Identifique quem são os mais engajados na empresa do seu cliente (peça para o departamento de comunicação e marketing agitar isso) para determinadas áreas e assuntos, os envolva nas principais atividades da companhia e deixe que eles sejam os evangelizadores por vontade e não por título. Lembre-se: não são somente os peixes grandes.

 

É importante lembrar do envolvimento, então monte um grupo de influenciadores que mensalmente terá contato com algum executivo do alto escalão do seu cliente para debater um determinado assunto. No cotidiano, crie uma comunidade fechada para troca de experiências e relacionamento entre os influenciadores e pessoas chave da empresa envolvidas no projeto.

Não esqueça de levar seus influenciadores para eventos, conferências e todo tipo de atividade que remeta a um grande número de pessoas, pois esse tipo de contato é essencial para que o influenciador aprenda mais sobre a companhia e leve mensagens chave para as discussões. Dê acesso a informações.

Mas quem toparia fazer isso? Existem muitos profissionais que gostariam de se envolver mais em determinadas companhias, sem necessariamente receber no final do mês o salário. A questão relacionamento começa a pesar muito na troca de informações entre pessoas e empresas. Uma comunidade boa é aquela que se engaja dentro e fora do círculo que está. É importante um ponto de encontro, mas não que ela se resuma a apenas aquilo.

Renato Galisteu é especialista em comunicação e mídia social, jornalista de tecnologia e pai do Noah. Este artigo foi originalmente publicado no LinkedIn.