Patrick Sigrist, fundador do iFood e do Nomad. Foto: divulgação.

Os executivos Patrick Sigrist (fundador do iFood), Marcos Nader e Eduardo Haber acabam de lançar oficialmente o Nomad, banco digital que oferece conta gratuita e outros serviços para brasileiros nos Estados Unidos.

De acordo com a fintech, muitos brasileiros querem abrir conta bancária no país por conta de viagens frequentes, intercâmbio, planos para morar fora do Brasil, investimentos ou mesmo reserva em dólar, mas esbarram em atividades burocráticas.

Alguns dos principais entraves são a exigência de um Social Security Number (SSN), o equivalente ao CPF, ou um endereço fixo nos Estados Unidos, além da necessidade da presença física no banco americano e da dificuldade no atendimento. 

Se a escolha for movimentar o dinheiro em bancos tradicionais brasileiros, ou mesmo casas de câmbio, o consumidor se depara, segundo a fintech, com taxas altas e até tarifas adicionais cobradas pelas instituições.

Durante um encontro em Palo Alto, no estado americano da Califórnia, os três fundadores conversaram sobre as burocracias que estavam enfrentando para investir em dólar ou para realizar outras transações fora do país — e como a tecnologia poderia ajudar neste sentido. 

Desde então, foram dois anos de trabalho e testes até o resultado final e o lançamento oficial do Nomad.

A proposta da fintech é oferecer contas sem taxas de abertura ou manutenção, necessitando apenas de passaporte brasileiro e endereço no Brasil para a aprovação. O extrato pode ser consultado através do aplicativo, como acontece nos outros bancos digitais.

Para a transferência de valores, a cotação é em dólar comercial, feita instantaneamente pelo próprio app. 

Após a realização da TED, o dinheiro fica disponível na conta americana e pode ser utilizado imediatamente através de um cartão de débito digital — que pode ser vinculado à Apple Pay, Samsung Pay e Google Pay.

O IOF cobrado é de 1,10% no câmbio e o spread cambial é de 2%. Atualmente, os bancos tradicionais costumam cobrar um spread de 5% a 6%, além de um IOF de 6,38% nas transações feitas através do cartão internacional de débito ou crédito. 

Todo o suporte é feito em português, também com opção em inglês, e o dinheiro depositado no Nomad fica coberto em até US$ 250 mil pelo fundo garantidor de crédito (FDIC) do governo americano.

A startup também oferece um cartão de débito físico e prevê outros serviços, como uma plataforma de investimentos dentro do portal.

"O que criamos é inédito. Nosso objetivo é que essa inovação vire tendência. Não dá mais para arcar com taxas exorbitantes enquanto podemos ter acesso a opções mais econômicas", destaca Marcos Nader.

Em dezembro de 2020, o Nomad recebeu um aporte seed de R$ 30 milhões da Monashees, e já conta com mais de 50 mil clientes na fila de espera, aguardando para abrir uma conta corrente americana. 

“Vamos democratizar e desburocratizar o acesso a serviços financeiros globais, além de diminuir as taxas para que o brasileiro não tenha mais barreiras territoriais e financeiras. Mais que uma conta corrente, nossa proposta é ser um facilitador para quem quer viajar, investir ou mesmo criar reserva em dólar", afirma Patrick Sigrist.

Tanto Sigrist quanto Nader possuem larga experiência em startups de tecnologia. O primeiro foi o idealizador e fundador do iFood, que teve origem em 1999, enquanto o segundo fundou há 18 anos a Comprova.com, empresa especializada em certificação digital comprada pela DocuSign em 2014. 

Já Eduardo Haber, o COO do Nomad, soma ao trio toda sua expertise de mais de 20 anos no mercado financeiro.