Duas abordagens diferentes de TI na Globo. Foto: Divulgação.

A Rede Globo fez uma reorganização da sua área de tecnologia baseada no conceito de TI bimodal, com implantação de metodologias ágeis de desenvolvimento de software.

A jornada da maior rede de televisão do país começou ainda em 2014, com a decisão de unificar as seis diferentes áreas de TI que atendiam a organização sob um comando único.

O executivo chamado para a função foi  Bruno Martins, ex-head de sistemas corporativos da Oi, que ficou à frente da recém criada diretoria de Aplicações da TV Globo.

“Essa divisão respondia a uma necessidade de agilidade dentro das diferentes áreas da organização”, explica Martins, que esteve em Porto Alegre apresentando o case em um evento da Meta, que fez consultoria no processo de adoção de métodos ágeis dentro da Globo.

No entanto, o cenário mudou: cada vez mais os equipamentos usados para fazer televisão são definidos em termos de software, um processo conhecido no meio como ITzação. 

Os hábitos dos consumidores mudaram, demandando produtos digitais como o serviço de streaming Globo Play ou gerando oportunidades como o fantasy game Cartola, nos quais diferentes áreas da empresa precisam se envolver.

Martins decidiu começar o trabalho abordando questões “feijão com arroz” por meio de revisão de processos, modificação da equipe e consolidação de fornecedores. “Sem o cotidiano funcionando, ninguém consegue emplacar inovações”, resume o executivo.

O segundo passo foi escolher três “capacidades estratégicas”, necessidades da organização que seriam melhor atendidas por um time dedicado trabalhando em torno de um produto com evolução contínua (ou seja, uma abordagem ágil no lugar dos contratos tradicionais).

As novas células focam em assuntos como mobilidade comercial, entretenimento e no fluxo de produção do jornalismo da emissora. A gestão do trabalho dessas unidades é feita pelo framework SAFe.

Essas iniciativas serviram para introduzir o novo modo de trabalhar, produziram valor e engajamento dos usuários, viabilizando agora a entrada em uma terceira fase, nas quais a abordagem deve ser usada para valer.

Martins tirou algumas aprendizagens do processo de adesão a metodologias ágeis até agora. A primeira é a necessidade de ter o time trabalhando junto, incluindo funcionários terceirizados, como os da Meta.

“Não acho que dê para fazer isso com uma parte dos colaboradores na Índia”, resume o diretor de Aplicações, que destacou também a necessidade de que as novas células estejam integrados com os sistemas legados, para não criar apenas “aplicativos cool”.

O número de células vai aumentar daqui para a frente, mas o modelo tradicional de trabalhar com tecnologia seguirá funcionando quando fizer sentido, dentro do que o Gartner chama de TI Bimodal.

“Existem muitas coisas para as quais modelos de desenvolvimento waterfall fazem sentido. O eSocial não precisa ser feito todo ano”, exemplifica Martins. 

Mais do que isso, os projetos podem transitar entre um modo e outro, de acordo com as perspectivas de evolução dentro de uma visão de ciclo de vida de aplicações e as mudanças de prioridades da organização. 

Assim, uma iniciativa pode começar dentro da área de pesquisa e desenvolvimento, ser assumida como produto dentro de um time ágil e finalmente ser considerada estável e ser atualizada por meio de projetos tradicionais contratados junto a fornecedores.

A nova abordagem de tecnologia internaliza recursos e responsabilidades para os times de TI da organização, mas Martins destaca que a segurança proporcionada por contratos cheios de cláusulas de desempenho com fornecedores muitas vezes é falsa.

“A TI muitas vezes tem tendência de militarizar as relações para não correr riscos. Um exemplo são as penalidades para fornecedores por descumprimento de SLA, que geram custos e nunca se usam”, exemplifica o gestor.

A Globo é um dos quatro clientes vitrine da prática ágil da Meta, dentro de um grupo que inclui um dos maiores bancos do país, uma grande varejista e um player no mercado financeiro.

A Meta é uma empresa que nasceu fornecendo serviços dentro do modelo tradicional de fábrica de software, mas está fazendo uma movimentação acelerada para ser uma companhia líder no novo mundo de métodos ágeis.

Até o final de 2018 a expectativa é a prática deve responder por 60% das horas de trabalho dos profissionais da empresa.

Será uma virada em relação ao começo do ano, quando os métodos mais tradicionais de trabalho na fábrica de software, baseados no paradigma de qualidade de software CMMI, ainda respondiam por mais de 70% das horas.

A área ágil da Meta oferece desenvolvimento de software e também os chamados “agile coachs”, profissionais que ajudam a estruturar práticas ágeis dentro das empresas clientes, como a Globo. 

A Meta tem mil funcionários em escritórios no Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Miami e uma carteira de 350 clientes.

A empresa atua ainda em  negócios nas áreas de terceirização de processos de negócios e tecnologia SAP. Objetivo da empresa é dobrar de tamanho até 2020.