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A Apple anunciou nesta última quarta-feira, 4, o lançamento do MacBook Neo, um novo modelo de notebook que promete ser mais acessível, com design em alumínio, tela de retina líquida de 13 polegadas e, pela primeira vez, o mesmo chip usado em iPhones.
Os preços partem de R$ 7.299 no Brasil, valor R$ 6.700 (47,8%) mais barato que o modelo mais simples do MacBook Air. A máquina oferece armazenamento de 256 GB ou 512 GB e identificação por impressão digital. A configuração mais cara do laptop chega a R$ 9.398.
Com quatro opções de cores diferentes, entre elas o clássico prateado, o produto vem acompanhado de um cabo para recarga com conector USB-C e um adaptador de energia USB-C de 20W.
A big tech afirma que o dispositivo conta com até 16 horas de bateria com uma recarga, uma plataforma de IA integrada e proteção antivírus inclusa.
Em novembro do ano passado, a companhia revelou planos de ingressar no mercado de laptops de baixo custo com o desenvolvimento de um MacBook econômico destinado a clientes de dispositivos com Windows nível básico.
Na época, acreditava-se que a máquina já estava em fase de testes e em início de produção com fornecedores estrangeiros.
A ideia é também atrair compradores do iPad que prefiram uma experiência tradicional com notebooks, entregando duração de bateria superior, maior flexibilidade a partir do software macOS e teclado integrado.
No contexto econômico brasileiro, entretanto, a aquisição do MacBook Neo deve continuar distante da realidade da população.
Em um país em que 35,3% dos trabalhadores recebem até um salário mínimo, hoje ajustado para R$ 1.621 o novo notebook da Apple custa 4,5 vezes mais do que a renda mensal dessa parcela da população.
Nem o percentual dos brasileiros que ganham mais de cinco salários mínimos (7,6%), equivalente a cerca de R$ 6.600, teria condições de adquirir a máquina com um mês de trabalho em um cenário em que a pessoa pudesse destinar toda sua renda apenas ao aparelho.
Nos Estados Unidos, por sua vez, o MacBook Neo tem um preço inicial de US$ 599 e salário mínimo mensal bruto chega a US$ 1.160 em uma jornada padrão de 40 horas semanais trabalhadas.
Considerando que o modelo mais barato do novo dispositivo pode ser parcelado em até 12 vezes sem juros, em mensalidades de R$ 608,25, grande parte dos trabalhadores brasileiros conseguiriam comprar o notebook sem prejudicar o orçamento necessário para garantir moradia, alimentação e outras despesas básicas.
Apenas 0,7% dos brasileiros, cuja renda corresponde a mais de 20 salários mínimos (cerca de R$ 24 mil), conseguiriam comprar o produto sem impactar seu acesso a necessidades básicas.
Notoriamente, a Apple é especializada em aparelhos de alta qualidade e padrão, que geram grandes margens de lucro. Como resultado, atualmente, a companhia é avaliada em aproximadamente US$ 4 trilhões, figurando entre as mais valiosas do mundo.
Hoje, seu site oficial no Brasil comercializa o MacBook Air, modelo pensado para usuários gerais, a partir de R$ 13.999, podendo chegar a mais R$ 20 mil.
O MacBook Pro, destinado a tarefas pesadas, tem valores que variam de R$ 19.999 a R$ 31.999, dependendo das dimensões e configurações escolhidas para a máquina.
