Clientes tem novas opções no iFood.

Tamanho da fonte: -A+A

Um funcionário de uma empresa prestadora de serviço de atendimento do iFood decidiu aprontar uma com a plataforma nesta terça-feira, 02, alterando nomes de restaurantes dentro do aplicativo.

De acordo com o iFood, a modificação não autorizada afetou 6% do total de cadastrados, uma porcentagem que significa pelo menos 12 mil trocas, segundo a quantidade de estabelecimentos em agosto de 2020. A empresa não abriu o número exato.

Capturas de tela do app divulgadas em redes sociais mostravam estabelecimentos com nomes como “Bolsonaro 2022”, “Petista Comunista”, “Marielle Franco Peneira” (em referência à vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, morta a tiros em 2018) ou ainda “Vacina Mata”.

Segundo o iFood, um funcionário de uma prestadora de serviço fez as alterações "de maneira indevida" e o acesso da empresa fornecedora, cujo nome não é revelado, foi interrompido.

A explicação de que as alterações foram obra de um lobo solitário tem lá as suas incosistências, principalmente olhando a quantidade de alterações.

Se o funcionário trocou os nomes manualmente, demorando 5 segundos cada vez, a alteração de 12 mil registros (sendo que o número é provavelmente ainda maior) é um processo que deveria durar 16 horas.

As alterações foram feitas de maneira muito mais rápida, o que indica o uso de algum tipo de automação, ou envolvimento manual de mais gente no processo.

Outra possibilidade é que o funcionário da empresa de atendimento terceirizada tenha acesso a algum comando para fazer trocas em grande escala de acordo com parâmetros, o que representaria outro problema do ponto de vista de segurança da informação.

Em agosto de 2020, o iFood tinha 212 mil estabelecimentos na plataforma, o que deixaria o número de afetados em torno de 12 mil.

O número atual de restaurantes pode ser muito maior, porque o iFood se beneficiou muito das restrições geradas pela pandemia do coronavírus, tendo tido um incremento de 32% entre março e agosto de 2020.

Mais do que o prejuízo de vendas não realizadas durante o período do ataque, o iFood pode ter que lidar agora com uma crise de confiança na segurança do aplicativo.

Em nota, o Ifood declarou que “investigações preliminares” apontaram que “não há qualquer indício de vazamento de dados pessoais cadastrados na plataforma ou cartões de crédito”.

Mesmo assim, a empresa tomou “medidas imediatas” para “sanar o problema e proteger os dados de restaurantes, consumidores e entregadores”.

A empresa também disse que não armazena informações de pagamento nos seus bancos de dados, apenas nos dispositivos dos clientes.

Não está claro qual é a motivação do funcionário da terceirizada para fazer um ataque desse tipo. A orientação ideológica das alterações, por outro lado, é bem óbvia.

O ataque com agenda política a um dos maiores aplicativos de entregas do país pode ter que ver com a decisão recente do iFood de cancelar o patrocínio ao podcast Flow na semana passada.

O programa, um dos mais populares do gênero no país, é conhecido pelas longas conversas sem pauta, preparação prévia e outras convenções da entrevista jornalística tradicional.

Essa espécie de método socrático aleatório vem rendendo suas polêmicas, principalmente envolvendo um dos apresentadores, Bruno Aiub, mais conhecido pelo apelido Monark.

Depois da repercussão negativa de alguns comentários no podcast, Monark resolveu debater os limites da liberdade de expressão no Twitter, se questionando em uma conversa com o advogado criminalista Augusto de Arruda Botelho se ter uma opinião racista seria crime.

Tudo acabou levando a mais uma campanha de cancelamento de patrocinadores nas redes sociais, a cuja pressão o iFood acabou cedendo.