Marco Stefanini, fundador e CEO Global do Grupo Stefanini.

A Stefanini comprou duas unidades de negócio voltadas para software no Brasil da Diebold Nixdorf, gigante mundial de caixas automáticos.

Uma das unidades é chamada de Online Fraud Detection e é voltada para soluções de segurança em pagamentos digitais. 

Cerca de 40 clientes, entre os quais bancos, corretoras e empresas do setor financeiro, utilizam a plataforma por onde passam 201 milhões de transações por mês, de aproximadamente 70 milhões de usuários. 

Além da unidade de prevenção de fraudes, a Stefanini adquiriu alguns ativos relacionados à automação de canais de atendimento, que incluem soluções de agência/caixa, autoatendimento, mobile banking, internet banking, abertura de contas em plataforma móvel, compensação de cheques, solução biométrica e troca de chaves.

Chamada de ServCore, a solução é usada por 30 empresas, com 21 milhões de usuários de biometria, cerca de 250 mil usuários em internet banking e 200 mil em mobile banking. 

“A aquisição do software antifraude da Diebold e das soluções de automação de canais reforça os planos da Stefanini de ser reconhecida como uma empresa full-banking, com soluções financeiras ponto a ponto”, afirma Marco Stefanini, fundador e CEO Global do Grupo Stefanini.

Em nota, a Stefanini disse que o negócio é a “aquisição mais importante em cinco anos”, mas não chegou a abrir valores.

A Stefanini fez umas quantas aquisições nos últimos anos (o grupo já chega a 20 empresas, sete compradas em 2020), mas de startups e empresas de médio porte, como a agência digital gaúcha W3Haus. 

Cinco anos atrás, a Stefanini anunciou uma fusão com a Scala IT, então um dos principais parceiros da IBM em software no país. Um ano antes foi anunciada outra fusão, dessa vez com a IHM, uma grande empresa de automação industrial.

A compra dos negócios de software da Diebold Nixdorf, no entanto, reforça a oferta da companhia no segmento financeiro, que é o coração da Stefanini, responsável por 35% do faturamento de R$ 3,3 bilhões em 2019. 

Para 2020, a expectativa é de um aumento de 20% nas receitas, chegando a quase R$ 4 bilhões.

Não ficou muito claro porque afinal a Diebold Nixdorf desenvolvia essas soluções no Brasil. A empresa está em 40 países e é dona de cerca de um terço do mercado mundial de caixas automáticos.

Se a reportagem do Baguete tivesse que fazer uma aposta, o motivo seria as particularidades dos bancos brasileiros, combinada com alguma questão relacionada com a política industrial do país.

Seja como for, de acordo com Elias Rogério da Silva, presidente da Diebold Nixdorf no Brasil, a empresa decidiu fazer a venda para “aumentar o foco em seus centros de desenvolvimento mundial”

A estratégia inclui o software Vynamic, um produto mundial, que já tem clientes no Brasil.

 “A Diebold Nixdorf continuará sua forte presença no Brasil, e seu trabalho como líder absoluto do mercado de soluções bancárias, incluindo hardware, software e serviços de ATM”, afirma Silva.