Marcos Mazoni. Foto: flickr.com/photos/fisl14/

O Serpro disponibilizou nesta sexta-feira, 05, o Expresso v3 uma solução de correio eletrônico, produtividade e videoconferência que será oferecido a órgãos de governo e empresas públicas por R$ 3,43 mensais o usuário.

O valor cobre hospedagem e suporte e uma conta inicial de 500 MB. A nova versão também roda em tablets e smartphones. Entre os primeiros usuários está o a própria estatal, com 11.721 contas.

O Expresso, um software de correio eletrônico baseado na plataforma alemã E-Groupware criado em 2005 pela Celepar, estatal paranaense de processamento de dados, tem hoje 525 mil usuários em 127 instituições no país.

[Hoje, participam do comitê de gestor da ferramenta Serpro, Procergs, Caixa, Celepar e Prognus].

A nova versão é uma reação do governo ao avanço de soluções como o Google Apps for Business e o Office 365, suítes cloud que vêm ganhando espaço na administração pública brasileira.

Com um custo anual de R$ 43 – fora a possibilidade de baixar o software gratuitamente e montar uma nuvem privada – o Expresso V3 é uma opção competitiva em termos de custo, saindo por menos de um terço do valor de uma conta no Google Apps, que custa US$ 65 ao ano.

O que não está claro é se o Serpro poderá competir em termos de funcionalidades e experiência de uso com o Google, uma multinacional que faturou US$ 50 bilhões no ano passado e tem no Google Apps for Business um dos seus principais produtos para o mercado corporativo, ou com o Office 365, a aposta da não menos poderosa Microsoft para não ficar fora do novo mercado de computação em nuvem.

A capacidade das caixas de correio, com 500 MB, é uma fração do 30 GB que o Google oferece para usuários pagos hoje [quase uma década atrás, em 2004, o Gmail revolucionou o mercado oferecendo 1GB gratuitamente]. Mas caixas pequenas, até menores do que as oferecidas pelo Serpro, não são atípicas em órgãos do governo hoje em dia.

De qualquer maneira, o principal argumento de venda do Expresso V3 é a necessidade de proteção de dados da administração pública e a orientação do governo no sentido de não hospedar dados no estrangeiro, onde o conteúdo está sujeito a outro marco jurídico.

“Nosso produto é tão qualificado quando o da concorrência e não está sujeito a espionagem”, resume Marcos Mazoni, diretor-presidente do Serpro, sob cuja gestão o Expresso começou a ser desenvolvido no Paraná em 2005. “Como com outros serviços é impossível saber onde os dados estão, estamos oferecendo uma alternativa dentro da lei”, completa Mazoni.

Recentemente, o The Washington Post revelou que a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) monitora o tráfego da Internet desde 2007 com a colaboração de empresas como  Microsoft, Yahoo!, Facebook, Google e Skype.

Agora é esperar para saber se o escândalo da NSA reforçará o poder dos argumentos da política de dados do governo federal. De acordo com uma pesquisa do Tribunal de Contas da União com 90% com 338 órgãos federais, 90% do total não analisam riscos aos quais a informação está submetida.

Google, Microsoft e o grupo crescente de empresas nacionais com soluções de comunicação na nuvem ainda não tem um grande case em nível federal, mas já vem comendo pelas bordas há tempo no mercado de compras públicas.

Em maio, o governo de Santa Catarina começou a adotar o Google Apps for Business, com um projeto inicial de 500 licenças do serviço de aplicações online com um custo divulgado pelo Diário Oficial de R$ 87,84 – o que mostra que a empresa tem disposição para cortar cursos em contratos de porte.

No Rio Grande do Sul, o Banrisul anunciou que começou a testar as ferramentas Hangout (videoconferência) e Plus (rede social), embora gestores de TI da empresa tenham frisado que migrar o e-mail está fora de questão.

As prefeituras de Belo Horizonte, Osaco e Recife são alguns dos outros clientes na área pública do Google.