Mário Rachid.

A Embratel vai usar tecnologia da startup pernambucana Ustore para oferecer um painel de gestão de nuvens em ambiente híbrido.

O Painel MultiCloud Embratel oferecerá gestão, bilhetagem, orquestração e provisionamento de recursos, serviços e aplicações de múltiplas nuvens públicas e privadas.

Em nota, a Ustore não chega a abrir com que nuvens públicas a Embratel vai operar no painel, mas os suspeitos são os de sempre: AWS e a Azure, os líderes isolados deste mercado.

“Com o surgimento das nuvens, é necessário melhorar a gestão dos recursos computacionais e o controle dos custos associados, além de demandar equipes multidisciplinares para operar e gerenciar os diferentes ambientes”, afirma Mário Rachid, diretor executivo de Soluções Digitais da Embratel.

Segundo o Gartner, o mercado mundial de serviços em nuvem está em franco crescimento e deverá aumentar 17% em 2019, totalizando US$ 206 bilhões. O Gartner prevê que em 2018 o mercado global de computação em nuvem crescerá 21%.

A Embratel tem cinco data centers próprios no Brasil e tem planos de se tornar um dos maiores players no mercado de TI brasileiro nos próximos anos, com uma oferta indo desde telecomunicações até implantação de sistemas, passando por outsourcing de TI, service desk e fábrica de software.

O objetivo é replicar por aqui o posicionamento que a América Móvil, controladora da Embratel, tem no México. Lá, a empresa está entre as cinco maiores de serviços de TI, junto com players como IBM, HPE e Sofftek.

Esse é o segundo contrato do gênero assinado pela Ustore com uma grande do setor de telecomunicações do país.

“Esse lançamento ratifica a maturidade da plataforma multicloud da Ustore e o nosso compromisso com o desenvolvimento ágil e contínuo alinhado às demandas do mercado”, diz Nelson Campelo,presidente da Ustore.

No final de 2016, foi a vez da Algar Tech, empresa de de TI e BPO do grupo brasileiro Algar.

O molde é o mesmo: Algar entra no negócio com o seu data center e conectividade, além do acesso aos clientes. A Ustore tem a tecnologia que viabiliza a orquestração.

Outras companhias tradicionais de TI também buscam se posicionar como “brokers” das ofertas de cloud disponíveis no mercado.

Também em 2016, a UOLDiveo adquiriu a Dualtec, tornando-se uma das primeiras empresas no Brasil a se posicionar como uma “cloud broker” e uma referência em OpenStack. 

Dias depois, a Tivit fez um movimento igual, comprando a startup mineira One Cloud.

A Ustore conseguiu permanecer independente. 

Fundada em 2007 por um doutorando da UFPE, a Ustore criou uma tecnologia para armazenamento de grandes volumes de dados, desestruturados e indexados em nuvens distribuídas, baseados numa infraestrutura criada na plataforma open source OpenStack.

Em 2015, a empresa recebeu um investimento de Campelo, ex-country manager da Avaya e Head Business Solutions para América Latina da Nokia Siemens Networks, que se tornou o CEO.

Na mesma época, a Ustore contratou Fabiana Falcone para assumir sua área comercial. Fabiana trabalhou com Campelo na Avaya como gerente de contas sênior e acumula passagens pelas áreas de vendas de empresas como ZTE, Cisco, Huawei e Nortel.