Serpro quer seguir sendo relevante. Foto: Pixabay.

Dataprev e Serpro, as duas principais estatais de processamento de dados em nível federal, estão preparando uma entrada conjunta no mercado como “brokers” de nuvem.

Segundo revela o Convergência Digital, ambas empresas ainda estão negociando como se dará a parceria. 

A ideia é oferecer computação em nuvem a partir dos data center das empresa e também de um fornecedor privado como Amazon, Google ou Azure, a ser escolhido ainda em 2017.

Os órgãos públicos poderiam colocar dados críticos nos data center das estatais e rodar outras aplicações na nuvem da parceria a preços mais competitivos.

De acordo com dados do Painel Gastos de TI do Ministério da Transparência, o Serpro é a empresa de TI que mais vende para o governo, com mais de R$ 1,2 bilhão no que vai de ano. A Dataprev é a segunda, com R$ 546,5 milhões. 

Já distante, a terceira é a Claro, com R$ 176,7 milhões.

Pelo visto, as novas administrações do Serpro e Dataprev sabem para onde está soprando o vento e estão buscando formas de manterem suas posições, em um momento em que o governo está abrindo as portas para clouds oferecidas por fornecedores privados.

Em março, o Ministério do Planejamento divulgou estar preparando uma licitação para contratação de serviços de computação na nuvem no valor de R$ 16 milhões em nuvem coletiva para 40 órgãos federais.

O termo de referência justifica a licitação de nuvem “no atacado” de fornecedores privados citando a padronização tecnológica e a redução de custos por compra em escala.

No ano passado, a secretaria de Tecnologia da Informação, do Ministério do Planejamento já havia orientado os órgãos públicos a não investirem mais em infraestrutura própria, recomendando a contratação de computação em nuvem.

A decisão por contratar computação em nuvem de provedores privados foi mais uma mudança que o Ministério do Planejamento está executando em mais de uma década de estratégia (posta em prática com diferentes graus de convicção) dos governos petistas em relação a tecnologia.

Ainda em 2012, o Serpro, estatal federal de processamento de dados, investiu R$ 40 milhões em duplicar seu data center de Brasília, e anunciou outros R$ 180 milhões para a construção de um novo centro em São Paulo.

O conceito era que o Serpro deveria ser o provedor de computação em nuvem para o governo, como uma prolongação da estratégia de desenvolvimento interno  de tecnologia baseada em software livre visando a “independência tecnológica” frente aos grandes fornecedores multinacionais de TI.

O único ponto da doutrina anterior sobre tecnologia que permanece é a exigência de que os servidores estejam em território brasileiro sob a jurisdição do país,  o que está em linha com o que outros governos e mesmo empresas no exterior tem feito.