Jeovani Salomão, CEO da Memora.

A Memora, uma empresa brasiliense especializada em tecnologia de gestão de processos para a área pública, acaba de comprar a Oraex, uma companhia carioca atuante na área de computação na nuvem.

Não foi revelado o valor do negócio. A Memora diz que juntas, as empresas devem faturar R$ 100 milhões em 2021.

Pelos números divulgados, é fácil deduzir que a Memora é uma empresa bem maior que a Oraex. A compradora tem 300 funcionários, contra 40 da adquirida.

Por outro lado, a Oraex vem crescendo rápido. Na nota, a Memora fala em um faturamento com “contratos vigentes” de R$ 13 milhões em 2021 e uma alta total de receitas de 150% desde 2017.

Fundada em 2010, a Oraex trabalha com intermediação de compra de computação em nuvem na AWS e Azure, mas também em projetos com tecnologias da Red Hat e Mongo DB.

A lista de clientes tem nomes expressivos como Magalu, Getnet, Santander e Grupo Ultra, entre outros. 

A Memora tem 270 clientes, incluindo nomes como Ministérios da Economia, da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, governos do Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. A participação no setor privado é menor, mas inclui NET, Claro e Vale. 

“Além de uma carteira sólida de clientes e do crescimento exponencial nos últimos anos, vimos no modelo de negócios da Oraex um grande atrativo para a negociação. A especialidade da empresa em cloud computing possibilita almejar a conquista de novos clientes, inclusive no mercado internacional”, explica o fundador e CEO da Memora, Jeovani Salomão. 

A Oraex já tem clientes e escritórios nos Estados Unidos e está prestes a assinar um contrato na Austrália. Ainda para este ano, estão na mira contratos na Argentina e no México.

“Não vamos interferir na gestão da Oraex que vem sendo muito bem conduzida, vide o crescimento exponencial nos últimos anos. Queremos, sim, abrir contatos e contratos novos. Vamos proporcionar a robustez necessária para grandes negócios”, complementa Salomão. 

A oportunidade mais evidente está no próprio governo federal, onde a Memora tem boa presença e está em curso no momento uma grande migração para nuvens públicas, um mercado do qual a empresa agora pode disputar uma fatia.

No mesmo dia da compra da Oraex saiu o resultado da segunda grande licitação de nuvem pública do governo federal, vencido pela Extreme Digital Solutions, uma empresa de perfil similar ao da Memora.

Combinando nuvens da AWS, Huawei e Google, a empresa vendeu com uma proposta de R$ 65,94 milhões, para o contrato de dois anos como integradora multinuvem para órgãos federais. 

A licitação ainda não está definida e cabem recursos.