CONEXÕES

Saiba por que os M&As de provedores vão estourar em 2026

Número de assinantes não cresce mais e o mercado vai entrar em outra fase.  

13 de fevereiro de 2026 - 10:06
Rodrigo Baraldi.

Rodrigo Baraldi.

Depois de um ciclo intenso de expansão e de um período recente de desaceleração, o mercado de banda larga fixa no Brasil entra em uma nova etapa. Os números ajudam a explicar o momento. Segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), de 2018 para cá, o total de assinantes saltou de 31,2 milhões para 53,8 milhões, gerando um crescimento de 72% no período.

Porém, entre 2024 e 2025, a expansão foi de apenas 2,5%, sinalizando maturidade do mercado e redução do fôlego de crescimento orgânico.

Esse novo contexto altera a lógica estratégica do setor. E é justamente neste cenário que o mercado de fusões e aquisições de provedores de banda larga no Brasil começa a mostrar sinais claros de retomada em 2026, impulsionado por uma combinação de maturidade estrutural, avanço consistente da fibra ótica e um ambiente competitivo ainda altamente fragmentado.

Embora as grandes operadoras concentrem marcas e capital, a soma das carteiras regionais já representa a maior parte dos acessos de banda larga fixa no país, criando um espaço relevante para movimentos estratégicos.

O ponto central é que esta nova onda de M&A não se orienta mais apenas por escala, mas pela qualidade do ativo e pela capacidade real de geração de valor.

O mercado aprendeu, de forma prática, que comprar base sem padronização técnica, sem governança e sem eficiência operacional gera mais problemas do que resultados. Despesa de capital (Capex) inesperada, dificuldades de integração e aumento de churn tornaram evidentes os limites de uma consolidação mal estruturada. 

A taxa de cancelamento no setor, estimada entre 20% e 25% ao ano segundo análises recentes de mercado, reforça como a retenção e a eficiência passaram a ser determinantes.

Por isso, ganha força o modelo de plataformas regionais, nas quais provedores menores são integrados sob uma única lógica de operação, tecnologia e gestão. Esse desenho reduz ineficiências, melhora margens e transforma negócios pulverizados em ativos efetivamente estratégicos. Tudo isso em um momento de juros elevados e pressão sobre resultados.

Esse amadurecimento também se reflete na forma como investidores e compradores avaliam oportunidades. Métricas como ARPU, churn ajustado, inadimplência, densidade de rede, custo de atendimento e eficiência de investimento passaram a ter peso decisivo nas negociações. 

O valuation deixa de ser um exercício teórico e passa a refletir fundamentos econômicos concretos. Ativos bem organizados, com rede consistente e capacidade de crescimento orgânico, tornam-se naturalmente mais atrativos para operadoras e investidores financeiros.

Não por acaso, o próprio mercado de capitais passou a precificar o setor com maior disciplina. Se em 2021 empresas de telecom negociavam a múltiplos próximos de 16 vezes Ebitda, hoje esse patamar está mais próximo de quatro vezes, segundo levantamento da Alvarez & Marsal. 

A mudança não representa desinteresse estrutural, mas uma reavaliação baseada em eficiência e geração de caixa.

O ano de 2026 tende, portanto, a marcar um ponto de inflexão no mercado de M&A de banda larga no Brasil. Não se trata apenas de mais transações, mas de uma consolidação mais consciente, seletiva e orientada à criação de valor sustentável. 

O setor entra em uma nova fase, menos baseada em expansão acelerada e mais focada em eficiência, integração e maturidade empresarial, redesenhando de forma estrutural o mapa competitivo da conectividade no país.

Se o primeiro ciclo foi marcado pela corrida por cobertura e base de clientes, o próximo será definido pela disciplina de capital e pela capacidade de transformar escala em rentabilidade. 

É essa mudança de critério que explica por que os M&As de provedores devem ganhar força em 2026 — não como movimento oportunista, mas como resposta estrutural a um mercado que amadureceu.

* Rodrigo Baraldi é Conselheiro Estratégico de M&A com mais de R$ 10,2 bilhões assessorados em operações. Ele participou de mais de 100 deals, incluindo Petpolymers, Sotreq, Marfrig e  Agropecuária Santa Mariana. É autor do recém-lançado livro “365 dias para se tornar o dono que sua empresa precisa” (Editora Unno-Buzz).